não sei expressar
decifrar sua língua
apenas a ouço com prazer
a sonoridade de sua voz
me arrepia e faz arder meu peito...
14 abril 2009
12 abril 2009
ressurreição
era madrugada
sábado de aleluia
e a lua toda lá em cima
cheguei na janela
colei a cara no vidro gelado
sentia tocar o céu
cara-a-cara com a lua cheia
de páscoa
ela me disse:
ressuscita também...
sábado de aleluia
e a lua toda lá em cima
cheguei na janela
colei a cara no vidro gelado
sentia tocar o céu
cara-a-cara com a lua cheia
de páscoa
ela me disse:
ressuscita também...
11 abril 2009
10 abril 2009
09 abril 2009
ceia
comida e bebida
ritual de partilha
despedida
o amor é pão
ainda que em nacos
farelos, cacos
o amor é líquido
vinho e sangue
nas veias
última ceia
o amor é lavar
os pés dos outros
o amor é só amar...
ritual de partilha
despedida
o amor é pão
ainda que em nacos
farelos, cacos
o amor é líquido
vinho e sangue
nas veias
última ceia
o amor é lavar
os pés dos outros
o amor é só amar...
08 abril 2009
coroa de espinhos
coro cabeludo
sangrias abertas
carne viva
nos presídios
olhos apagados
corpos fragelados
corpos nus
escarnecidos
servidos em gotas...
sangrias abertas
carne viva
nos presídios
olhos apagados
corpos fragelados
corpos nus
escarnecidos
servidos em gotas...
07 abril 2009
flagelação
chicotes invisíveis
sangue coagulado
bofetada no abdome
grito
na dor da mãe
pelo filho que partiu
antes do crepúsculo
no choro das crianças
dos morros e do asfalto
sem brinquedo
nem afago
na angústia humana
que tem muitos nomes
mas é uma dor só...
sangue coagulado
bofetada no abdome
grito
na dor da mãe
pelo filho que partiu
antes do crepúsculo
no choro das crianças
dos morros e do asfalto
sem brinquedo
nem afago
na angústia humana
que tem muitos nomes
mas é uma dor só...
06 abril 2009
horto
o suor era sangue
angustia e dor
o amargor do cálice
consequência do amor
a morte viria
o corpo tremia
quanta agonia
na noite escura
a captura
e um beijo falso
do traidor...
angustia e dor
o amargor do cálice
consequência do amor
a morte viria
o corpo tremia
quanta agonia
na noite escura
a captura
e um beijo falso
do traidor...
04 abril 2009
desvario
e se secar a saliva
não houve mata nativa
se o oxigênio acabar
e a luz se apagar
a escuridão descer
todo mundo se perder
se a garganta der um nó
o nariz encher de pó
se houver ranger de dentes
os corpos assim doentes
e se toda a casa cair
o mundo inteiro sumir
seja lá o que for
ódio ou amor
haja lá o que houver
ação boa ou de má-fé
só uns punhados de terra
nossa luta aqui encerra...
não houve mata nativa
se o oxigênio acabar
e a luz se apagar
a escuridão descer
todo mundo se perder
se a garganta der um nó
o nariz encher de pó
se houver ranger de dentes
os corpos assim doentes
e se toda a casa cair
o mundo inteiro sumir
seja lá o que for
ódio ou amor
haja lá o que houver
ação boa ou de má-fé
só uns punhados de terra
nossa luta aqui encerra...
29 março 2009
quimera
era uma vez uma aldeia
onde reinava a poesia
todos lá vivam em paz
Todos lá tinham alegria
todos lá eram poetas
fosse noite, fosse dia...
as brigas que lá haviam
eram somente as pelejas
dos poetas repentistas
nas cantorias sertanejas
as disputa verbais
duravam noites inteiras
toda gente bem feliz
ria com as brincadeiras
dos poetas repentistas
e suas rimas certeiras
naquele aldeia
a lei era a voz ao vivo
nos lábios de todos
havia sempre sorriso
e a riqueza maior
era dizer versos de improviso...
onde reinava a poesia
todos lá vivam em paz
Todos lá tinham alegria
todos lá eram poetas
fosse noite, fosse dia...
as brigas que lá haviam
eram somente as pelejas
dos poetas repentistas
nas cantorias sertanejas
as disputa verbais
duravam noites inteiras
toda gente bem feliz
ria com as brincadeiras
dos poetas repentistas
e suas rimas certeiras
naquele aldeia
a lei era a voz ao vivo
nos lábios de todos
havia sempre sorriso
e a riqueza maior
era dizer versos de improviso...
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