01 novembro 2008

falange

da sacada olhou o horizonte
um barulho estranho ecoou
era tal um rugir de elefante
que enchia o silêncio de horror

na verdade o grito era interno
lá no poço onde a água é a dor
a rebelião dos demônios no inferno
reinando na ausência do amor...

31 outubro 2008

um nome

somos os pobres
fugimos da fome
batemos na porta
queremos um nome
já não suportamos
a dor no abdome

só queremos um nome...

arbusto

escrevo para viver
escapo na poesia
a dor que levo no peito
espanto com a luz do dia
a aurora, mãe do sol
me traz paz e alegria...

29 outubro 2008

metades

sou da raça de adão
mas também de prometeu
se um me legou a morte
o outro o fogo me deu
metade em mim é fé
outra metade é ateu...

27 outubro 2008

aceno

antes que as trevas da noite
viessem a terra cobrir
o sol abriu os olhos
e começou a sorrir
rapidamente recolheu-se
e começou a dormir...

26 outubro 2008

fiapo

sobe e desce ladeiras
nas veredas marginais
corre risco de morte
perde o sono e perde a paz
nas horas mortas da vida
seu filme sai de cartaz...

25 outubro 2008

quadras

nem conta no banco tenho
grana não acumulei
por que tenho de pagar
uma conta que não causei?

o deus de nome mercado
e os seus adoradores
agora estão atônitos
e aceitando favores

num dia a bolsa cai
noutro faz é despencar
a moeda americana
essa só dá é azar

o dinheiro não é tudo
nem traz a felicidade
mas ele comanda o mundo
daí a calamidade

24 outubro 2008

sofisma

não deixe o abraço de hoje para amanhã
gostou da árvore?
abrace-a agora
amanhã alguém poderá cortá-la
poucos gostam de árvores
gostam mais de folhas de grana
é preferível ser louco neste mundo
ser louco
a loucura é mãe da sabedoria...

22 outubro 2008

21 outubro 2008

minuano

o minuano me arrepia
é como se um monstro rosnasse
e unhasse na altura de minha janela
janela do quarto
e de meu corpo sem paredes...