13 novembro 2011

além do tempo

ouviu o barulho na porta
talvez o vento, ninguém 
o tic-tac hora morta
trazia saudade de alguém


no peito sentimento deserto
lá fora a avenida acordou
aqui dentro sou eu que desperto
do sono ainda zonzo estou


o espelho é imagem torta
nos olhos pureza de infância
na face a idade riscou
rugas, caminhos, distância


a imagem não sou eu, falou
voz vinda de fora
voz rouca, voz morta


a água lavou
abri a cortina
dia azul acordou
sai, sem medo da sina...