Por Ira Brito
Sonhei com dois anjinhos.
Na verdade eram quatro,
mas só lembro mesmo de dois.
Agora, em minha mente,
há uma lembrança como sombra.
Ah, não eram anjos, eram "anjas".
Ensinaram-me que anjos não
têm sexo. Uma contradição.
Ou um paradoxo: todo anjo
é masculino no nome e feminino
na aparência. Sei lá. Em meu sonho
eram duas menininhas lindas,
de cabelos longos. Ambas sorriam.
Imaginem, elas estavam passeando
numa corrocinha puxada por um carneirinho.
No sonho eu pensei: isso não é real. É uma visagem.
É apenas um SONHO. Vai saber.
Na verdade as duas me disseram:
Somos anjos.
Acordei quando ia fazer perguntas.
Não devia ter acordado.
Quero dormir de novo.
17 junho 2006
15 junho 2006
PRECE
Por Ira Brito
Acordamos para a vida
Para a esperança, o amor
Para o sorriso sincero
Para espantar a dor
Para a alegria fraterna
Para o entusiasmo, o fervor...
Nossa prece para todos:
A criança que sorrir inocente
O idoso que fala cansado
O jovem sonhador e contente
O trabalhador estressado
O pobre, sem terra e sem dente...
Pelo vendedor ambulante
Que já montou sua barraca
Pelo vaqueiro esperto
Que já ordenhou a vaca
Pelo doente solitário,
Triste na sua maca...
Pelos que nunca são lembrados
Pelos aposentados roubados
Pelos que são ignorados
Pelos que não são amados
Pelos que vivem angustiados
Pelos que são escravizados
Pelos que nasceram condenados...
Uma prece é silenciar a alma, o sopro vital.
Uma prece é sentir as dores do mundo.
Uma prece é sorrir para a vida.
Uma prece é superar o que é medíocre,
é transcender ...
Acordamos para a vida
Para a esperança, o amor
Para o sorriso sincero
Para espantar a dor
Para a alegria fraterna
Para o entusiasmo, o fervor...
Nossa prece para todos:
A criança que sorrir inocente
O idoso que fala cansado
O jovem sonhador e contente
O trabalhador estressado
O pobre, sem terra e sem dente...
Pelo vendedor ambulante
Que já montou sua barraca
Pelo vaqueiro esperto
Que já ordenhou a vaca
Pelo doente solitário,
Triste na sua maca...
Pelos que nunca são lembrados
Pelos aposentados roubados
Pelos que são ignorados
Pelos que não são amados
Pelos que vivem angustiados
Pelos que são escravizados
Pelos que nasceram condenados...
Uma prece é silenciar a alma, o sopro vital.
Uma prece é sentir as dores do mundo.
Uma prece é sorrir para a vida.
Uma prece é superar o que é medíocre,
é transcender ...
13 junho 2006
PRAZER E DOR
Por Ira Brito
Para sentir prazer
há sofrer;
chega até gemer.
Suspirar. Até dói.
É, por assim dizer,
o ato que também damos
o nome de amor.
Para sentir prazer
há sofrer;
chega até gemer.
Suspirar. Até dói.
É, por assim dizer,
o ato que também damos
o nome de amor.
11 junho 2006
GOZO
Por Ira Brito
Tudo apagado. Mesmo assim fechou os olhos.
Fechou os olhos para ver e sentir...
Sem sofreguidão acariciou o amor.
Num instante, tudo era eterno.
O prazer sorriu.
Tudo apagado. Mesmo assim fechou os olhos.
Fechou os olhos para ver e sentir...
Sem sofreguidão acariciou o amor.
Num instante, tudo era eterno.
O prazer sorriu.
10 junho 2006
MICRO CONTO III
Por Ira Brito
O sol brilhava e o céu era de um azul incandescente.
Dentro dela havia uma fogueira em labaredas.
Olhou pro infinito e nem se encantou.
Bocejou indiferença para a beleza.
De seu poço: profundo e sujo arrancou um suspiro.
A existência não tinha mais nenhum sentido.
Pobre ser, vivente em sumiço!
Pronunciou um lamento silencioso:
- De hoje não passo!
O sol brilhava e o céu era de um azul incandescente.
Dentro dela havia uma fogueira em labaredas.
Olhou pro infinito e nem se encantou.
Bocejou indiferença para a beleza.
De seu poço: profundo e sujo arrancou um suspiro.
A existência não tinha mais nenhum sentido.
Pobre ser, vivente em sumiço!
Pronunciou um lamento silencioso:
- De hoje não passo!
MICRO CONTO II
Por Ira Brito
Gosto do barulho de chuva na telha.
Tenho pena dos pobres que não têm telhas.
Gosto do barulho de chuva na telha.
Tenho pena dos pobres que não têm telhas.
09 junho 2006
04 junho 2006
EU
Por Ira Brito
Eu sou dor
Eu sou prazer
Eu sou paixão
Eu sou viver
Eu sou matéria
Eu sou sofrer...
Eu sou afeto
Eu sou coração
Eu sou natureza
Eu sou razão
Eu sou ternura
Eu sou ilusão...
Eu sou mais
Sou alguém
Estou aqui, ali
Sozinho, ninguém
Sou constelação
Sou "caco" também...
Hoje!!!!
Eu sou dor
Eu sou prazer
Eu sou paixão
Eu sou viver
Eu sou matéria
Eu sou sofrer...
Eu sou afeto
Eu sou coração
Eu sou natureza
Eu sou razão
Eu sou ternura
Eu sou ilusão...
Eu sou mais
Sou alguém
Estou aqui, ali
Sozinho, ninguém
Sou constelação
Sou "caco" também...
Hoje!!!!
26 maio 2006
QUANDO...
Por Ira Brito
Quando a decepção chega
Quando a dor aperta
Quando tudo é cinzento
Quando a saudade desperta
Quando o amor é miragem
Quando a estrada é deserta...
Quando se é anônimo
Quando tudo é caco
Quando se perde o rumo
Quando a gente é macaco
Quando se vira bicho
Quando a grana é um naco...
Quando o barraco cai
Quando a lei é só papel
Quando o erro sufoca
Quando o sabor é fel
Quando se é prisão
Quando a vida é babel...
Há sempre um quando na vida!
Há momento e o momento...
Quando a decepção chega
Quando a dor aperta
Quando tudo é cinzento
Quando a saudade desperta
Quando o amor é miragem
Quando a estrada é deserta...
Quando se é anônimo
Quando tudo é caco
Quando se perde o rumo
Quando a gente é macaco
Quando se vira bicho
Quando a grana é um naco...
Quando o barraco cai
Quando a lei é só papel
Quando o erro sufoca
Quando o sabor é fel
Quando se é prisão
Quando a vida é babel...
Há sempre um quando na vida!
Há momento e o momento...
14 maio 2006
MAMÃE
Por Ira Brito
Todo dia é dia das mães.
Hoje é um dia especial.
Uma Homenagem às mamães geradoras de vida,
de esperança, de amor incondicional.
Mãe roceira, na luta de casa
Mãe roceira, na luta de casa
e trabalho na roça.
Mãe doméstica, cuida da casa da patroa
e ainda resta tempo para a sua.
Mãe lavadeira, que tenta limpar a sujeira do poder
e do sistema injusto e cruel.
Mãe sem carteira assinada
e com salário de miséria.
Mãe operária. Desempregada.
Aposentada. Idosa. Abandonada.
Solitária. Viúva.
Mãe que madruga, não faz sesta e dorme tarde...
Mãe feliz. Do lar. Rodeada de filhos e netos, protegida.
Mãe feliz. Do lar. Rodeada de filhos e netos, protegida.
Mãe do sorriso largo, satisfeita.
Mãe em paz, tranqüila, serena.
Mãe sentada na poltrona, vendo televisão.
Mãe culta, por dentro dos fatos e da história,
lendo bom livro e curtindo a vida.
Mãe da alegria, da fartura, da partilha....
Mãe casada. Solteira. Sertaneja. Urbana.
Mãe casada. Solteira. Sertaneja. Urbana.
Empresária. Professora. Catequista.
Mãe de todas as profissões.
Mãe adotiva.
Mãe ferida, amargurada, apreensiva.
Mãe pai e mãe.
Mãe analfabeta,
das lágrimas, destemida, feliz...
Mãe precoce.
Da favela. Do centro.
Conhecida. Anônima.
Mãe coragem.
Mãe de presidiário.
Encarcerada.
Mãe do filho ausente.
Mãe de santo.
Mãe brasileira.
Mãe de muitos rostos,
de muitas raças.
Mãe Beleza, encanto.
Mãe negra, mulata,
Mãe índia, branca, parda,
Mãe mestiça, de todas as cores.
Mãe anjo da guarda.
Mãe de todas as mães.
Mãe de Jesus, cantora da vida,
da alegria, da paz, da libertação.
Mãe, minha mamãe,
lá no Ceará:
Eu te amo!
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