Por Ira
De letra em letra
Meu ser deságua
Em pranto...
14 julho 2006
CONTIDO
Por Ira Brito
Um gole de mágoa
Um trago de solidão
Um respiro de abandono
Um gemido de paixão
Um olhar atravessado
Um soluço de tensão...
Subiu e desceu correndo
Três lances daquela escada
Abriu e fechou a porta
Não queria pensar em nada
Saiu sem rumo na rua
Com uma raiva danada...
Um sentimento estranho
Tal revolta adolescente
Chegou sem mandar aviso
Na hora do expediente
Justo naquele dia
Que acordara contente...
Mas nada é por acaso
Tudo tem razão de ser
A raiva foi explosão
Do que não devia reter
O sentimento abafado
Pelo medo do prazer...
Cada um leva consigo
Algo de livro aberto
Carrega também um cofre
Singiloso e bem coberto
Nem o mais fiel amigo
Adentra neste deserto...
Nem que seja bem esperto.
Há coisas que vão pra tumba...
Um gole de mágoa
Um trago de solidão
Um respiro de abandono
Um gemido de paixão
Um olhar atravessado
Um soluço de tensão...
Subiu e desceu correndo
Três lances daquela escada
Abriu e fechou a porta
Não queria pensar em nada
Saiu sem rumo na rua
Com uma raiva danada...
Um sentimento estranho
Tal revolta adolescente
Chegou sem mandar aviso
Na hora do expediente
Justo naquele dia
Que acordara contente...
Mas nada é por acaso
Tudo tem razão de ser
A raiva foi explosão
Do que não devia reter
O sentimento abafado
Pelo medo do prazer...
Cada um leva consigo
Algo de livro aberto
Carrega também um cofre
Singiloso e bem coberto
Nem o mais fiel amigo
Adentra neste deserto...
Nem que seja bem esperto.
Há coisas que vão pra tumba...
12 julho 2006
SEGUNDO
Por Ira Brito
Ah, Tempus Fugit!
Que saudade daquele tempo inocente!
O armador em roc, roc, roc
O calor pingando.
Lá fora o horizonte trêmulo.
Eu na rede, em frente a janela
Via o céu bem azuzinho
E uma nuvem levemente
Carregada pelo vento...
Ah, Tempus Fugit!
Que saudade daquele tempo inocente!
O armador em roc, roc, roc
O calor pingando.
Lá fora o horizonte trêmulo.
Eu na rede, em frente a janela
Via o céu bem azuzinho
E uma nuvem levemente
Carregada pelo vento...
11 julho 2006
REMÉDIO
Por Ira Brito
Quando abriu a sacola havia três medicamentos.
– Mas eu comprei somente dois.
Leu as embalagens e num deles o nome: PLATÃO.
– Nossa, que remédio é este?
Viu o preço e achou absurdo.
– Muito caro, tá louco!
Não entendeu como aquele remédio foi parar em
sua sacola, tampouco lembrou de ter pago aquele valor.
Por sinal muito alto.
– E agora, o que é que faço com isto?
– E os efeitos colaterais?
Pensou, pensou e monologou:
– Há remédios que curam, outros que complicam.
– Vou experimentar este tal de Platão...
– Sem prescrição médica...
Quando abriu a sacola havia três medicamentos.
– Mas eu comprei somente dois.
Leu as embalagens e num deles o nome: PLATÃO.
– Nossa, que remédio é este?
Viu o preço e achou absurdo.
– Muito caro, tá louco!
Não entendeu como aquele remédio foi parar em
sua sacola, tampouco lembrou de ter pago aquele valor.
Por sinal muito alto.
– E agora, o que é que faço com isto?
– E os efeitos colaterais?
Pensou, pensou e monologou:
– Há remédios que curam, outros que complicam.
– Vou experimentar este tal de Platão...
– Sem prescrição médica...
CIÚMES
Por Ira Brito
Andava tristonha
O ciúme a consumia
Seu coração em chamas
Pobre peito padecia
Amava e não era amada
Seu viver: agonia...
Cada hora do seu dia
Vivia no padecer
A comida não tinha gosto
Em nada sentia prazer
Por mais que o sol brilhasse
Não parava de sofrer....
Andava tristonha
O ciúme a consumia
Seu coração em chamas
Pobre peito padecia
Amava e não era amada
Seu viver: agonia...
Cada hora do seu dia
Vivia no padecer
A comida não tinha gosto
Em nada sentia prazer
Por mais que o sol brilhasse
Não parava de sofrer....
10 julho 2006
LUA
Por Ira Brito
A lua cheia despontou da lagoa
Pampulha de tantos mundos.
Lua de Julho, sempre a maior.
Bela lua do dia 10.
Sei não... essa lua de julho...
Me apaixonei mais ainda por ela.
Lua inteira. Você e eu: UM
Em pedaços, em fases, encantos...
A lua cheia despontou da lagoa
Pampulha de tantos mundos.
Lua de Julho, sempre a maior.
Bela lua do dia 10.
Sei não... essa lua de julho...
Me apaixonei mais ainda por ela.
Lua inteira. Você e eu: UM
Em pedaços, em fases, encantos...
03 julho 2006
FANTASMA
Por Ira Brito
A criança disse:
– Sabe o que é o fantasma?
Os adultos em roda feito uns bobos perguntaram:
– O que é, em?
– O fantasma é o vento, disse a criança.
Os adultos todos riram.
A criança disse:
– Sabe o que é o fantasma?
Os adultos em roda feito uns bobos perguntaram:
– O que é, em?
– O fantasma é o vento, disse a criança.
Os adultos todos riram.
30 junho 2006
INVERNO
Por Ira Brito
Sou caseiro e no inverno fico mais ainda.
Com o frio é ótimo ficar em casa,
assistindo a um bom filme.
Ler deitado na cama e bem agasalhado,
enquanto aguardo o sono.
No inverno é mais prazeroso tomar chá,
tocar a xícara quentinha
e se aquecer com o sabor
e o bate papo amistoso, sem compromisso.
Gosto dos dias claros, sobretudo do amanhecer,
em que o sol desponta amarelinho
e seus raios derretem o gelo sobre a grama.
Os dias cinzentos me trazem tristeza.
Uma tristeza que não faz mal sentir.
Nem sei explicar como é.
Só sei que é algo meio doído.
O inverno é dor.
Parece com perdas, solidão, abandono.
É um aperto, sabe.
O inverno para mim é mais existencial,
faz a gente se recolher,
mergulhar mais no eu,
pensar na existência.
O inverno é também inspirador.
Suscita uma inspiração do próprio ser.
Os sentimentos parecem ficar mais à flor da pele,
me torno mais suscetível.
O inverno me reporta a “outros mundos”.
Ele me remete ao sertão dentro de mim,
isto é, a uma saudade do chão sagrado
e quente que me gerou.
E mais: o inverno me lembra a cor preta
que prevalece nos casacos
que desfilam suntuosos nas ruas
e nos corredores largos da moda.
O inverno me entristece pelos humanos
jogados nas calçadas, trêmulos,
com seus olhos cinzentos e suas feições,
suplicando: me aqueça! ...
Sou caseiro e no inverno fico mais ainda.
Com o frio é ótimo ficar em casa,
assistindo a um bom filme.
Ler deitado na cama e bem agasalhado,
enquanto aguardo o sono.
No inverno é mais prazeroso tomar chá,
tocar a xícara quentinha
e se aquecer com o sabor
e o bate papo amistoso, sem compromisso.
Gosto dos dias claros, sobretudo do amanhecer,
em que o sol desponta amarelinho
e seus raios derretem o gelo sobre a grama.
Os dias cinzentos me trazem tristeza.
Uma tristeza que não faz mal sentir.
Nem sei explicar como é.
Só sei que é algo meio doído.
O inverno é dor.
Parece com perdas, solidão, abandono.
É um aperto, sabe.
O inverno para mim é mais existencial,
faz a gente se recolher,
mergulhar mais no eu,
pensar na existência.
O inverno é também inspirador.
Suscita uma inspiração do próprio ser.
Os sentimentos parecem ficar mais à flor da pele,
me torno mais suscetível.
O inverno me reporta a “outros mundos”.
Ele me remete ao sertão dentro de mim,
isto é, a uma saudade do chão sagrado
e quente que me gerou.
E mais: o inverno me lembra a cor preta
que prevalece nos casacos
que desfilam suntuosos nas ruas
e nos corredores largos da moda.
O inverno me entristece pelos humanos
jogados nas calçadas, trêmulos,
com seus olhos cinzentos e suas feições,
suplicando: me aqueça! ...
25 junho 2006
CENTELHA
Por Ira Brito
Abajur ligado. Quase sombra.
Deveria ser insônia.
Disse:
– A noite é perigosa. É tanta coisa na cabeça da gente.
Respondeu:
– É verdade...
O silêncio se fez. A luz se apagou.
Rolou e o sono veio. Sonhou.
Mergulhou no subconsciente.
Até sofreu.
Abajur ligado. Quase sombra.
Deveria ser insônia.
Disse:
– A noite é perigosa. É tanta coisa na cabeça da gente.
Respondeu:
– É verdade...
O silêncio se fez. A luz se apagou.
Rolou e o sono veio. Sonhou.
Mergulhou no subconsciente.
Até sofreu.
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