06 agosto 2006
TUDO FLUI
Por Ira Brito
O pensamento voa
O ser balança vazio
Sente-se estrangeiro
Algo paira meio frio
Tudo desce e se esvai
Transitório e eterno rio...
05 agosto 2006
EXISTENCIAL
Por Ira Brito
A Tristeza puxa, aperta.
O humano é solidão.
Um ser itinerante, angustiado...
A Tristeza puxa, aperta.
O humano é solidão.
Um ser itinerante, angustiado...
BRADO
Por Ira Brito
Um dia encherão
minha boca de terra.
Neste dia, então, calarei...
(Inspirado numa citação de um poema de Heinrich Heine)
30 julho 2006
ESCREVER
Por Ira Brito
Eis-me aqui de novo
Numa postura de luta
Minha arma é a palavra
É ela que me insulta
Dá tapa na minha cara
E manda fazer consulta...
Me ordena fazer consulta
Para não escrever besteira
Buscar no dicionário
Uma palavra certeira
Organizar bem as idéias
Evitando baboseira...
É uma luta sem fim
Este ato de escrever
É uma caminho de pedras
Mas ele nos dá prazer
É como água de cacimba
Bem gostosa de beber...
Porém é preciso cavar
O solo para descobrir
A fonte de onde verte
O líquido que faz florir
O jardim de nossa vida
A razão do existir...
É uma luta infinda
A água barrenta cai fora
Até encontrar água limpa
Muita sujeira vai embora
Só os corajosos escrevem
Com afinco, garra e demora...
29 julho 2006
DESAVISO
Por Ira Brito
Quero sentir a vida
Não tenho sangue azul
Posso até ser meio estranho
E não concordar com tu
O certo é que todos nós
Viemos ao mundo nús...
Quero sentir a vida
Não tenho sangue azul
Posso até ser meio estranho
E não concordar com tu
O certo é que todos nós
Viemos ao mundo nús...
28 julho 2006
KITSCH
Por Ira Brito
Gramado e Campos do Jordão têm
qualquer coisa de falso.
Seria um certo pedantismo,
um esforço amuado
por não querer ser Brasil?
Há frieza no clima e nas relações.
Desfile de tênis e marcas.
Risos estridentes de patricinhas.
Sim, é claro que as duas cidades
têm lá suas belezas.
Mas que há um esforço danado
para não parecer Brasil...
Isso se percebe, se sente...
Gramado e Campos do Jordão têm
qualquer coisa de falso.
Seria um certo pedantismo,
um esforço amuado
por não querer ser Brasil?
Há frieza no clima e nas relações.
Desfile de tênis e marcas.
Risos estridentes de patricinhas.
Sim, é claro que as duas cidades
têm lá suas belezas.
Mas que há um esforço danado
para não parecer Brasil...
Isso se percebe, se sente...
27 julho 2006
15 julho 2006
BANCO
Por Ira Brito
Retorno meio obscuro.
Várias vezes aquele retorno.
Caras de indiferença.
Uns parceciam do tempo real,
outros eram gente nova.
Aquelas reuniões de abertura,
eu ali quieto, meio sem graça;
quase ou totalmente excluído.
No início me deixaram atrás de uma coluna,
ou como diz no popular, de um parapeito.
Penso hoje, que aquela era uma estratégia
de não me deixarem exposto ao público.
Minha cara cheinha de espinha, tinha vergonha.
Ixe, que chato quando me perguntavam:
– O que foi isso no seu rosto?
Só respondia por educação.
Sim, mas depois me puseram pra trabalhar
na primeira cadeira, bem na entrada do banco.
Já me sentia mais familiar no espaço.
No entanto, minha timidez de menino do sítio,
criado no mato até os 15 anos, impediu que
avançasse mais na experiência.
Fiquei ali durante dois anos. Até completar os 18.
Ingressei porque venci na prova de seleção.
Dos quatro colégios públicos
que disputaram àquela vaga,
somente eu consegui.
Nem acreditei quando me disseram o resusltado.
– O padre passou na prova, disse o gerente
É que na entrevista, havia revelado meu desejo de
um dia me tornar padre. A turma lá até riu de mim.
Na hora do resultado, era pouco mais de meio dia.
Eu sem jeito, nem lembro como reagi...
Nossa, ainda nem conhecia bem a cidade.
Alguns meses somente.
Estava me adaptando à vida urbana.
Sequer sabia ao certo o endereço do banco.
A diretora do colégio, onde eu estudava
me chamou na secretaria e disse:
– Você foi selecionado para concorrer a
uma vaga de estagiário no Banco do Brasil.
Sei lá porque sempre sonho, retornando àquele estágio!
Ontem sonhei de novo. Tudo tão estranho.
Eu lelé, tonto no meio daquele gente,
totalmente desterritorizado,
deslocado do tempo e do espaço.
Será se Freud explica?
Essa coisa de subconsciente
é mistério mesmo...
Retorno meio obscuro.
Várias vezes aquele retorno.
Caras de indiferença.
Uns parceciam do tempo real,
outros eram gente nova.
Aquelas reuniões de abertura,
eu ali quieto, meio sem graça;
quase ou totalmente excluído.
No início me deixaram atrás de uma coluna,
ou como diz no popular, de um parapeito.
Penso hoje, que aquela era uma estratégia
de não me deixarem exposto ao público.
Minha cara cheinha de espinha, tinha vergonha.
Ixe, que chato quando me perguntavam:
– O que foi isso no seu rosto?
Só respondia por educação.
Sim, mas depois me puseram pra trabalhar
na primeira cadeira, bem na entrada do banco.
Já me sentia mais familiar no espaço.
No entanto, minha timidez de menino do sítio,
criado no mato até os 15 anos, impediu que
avançasse mais na experiência.
Fiquei ali durante dois anos. Até completar os 18.
Ingressei porque venci na prova de seleção.
Dos quatro colégios públicos
que disputaram àquela vaga,
somente eu consegui.
Nem acreditei quando me disseram o resusltado.
– O padre passou na prova, disse o gerente
É que na entrevista, havia revelado meu desejo de
um dia me tornar padre. A turma lá até riu de mim.
Na hora do resultado, era pouco mais de meio dia.
Eu sem jeito, nem lembro como reagi...
Nossa, ainda nem conhecia bem a cidade.
Alguns meses somente.
Estava me adaptando à vida urbana.
Sequer sabia ao certo o endereço do banco.
A diretora do colégio, onde eu estudava
me chamou na secretaria e disse:
– Você foi selecionado para concorrer a
uma vaga de estagiário no Banco do Brasil.
***
Sei lá porque sempre sonho, retornando àquele estágio!
Ontem sonhei de novo. Tudo tão estranho.
Eu lelé, tonto no meio daquele gente,
totalmente desterritorizado,
deslocado do tempo e do espaço.
Será se Freud explica?
Essa coisa de subconsciente
é mistério mesmo...
ARENGADO
Por Ira Brito
A morte não é problema
A vida também não é.
Não quero estar morto-vivo.
Também não sou um qualquer.
Enquanto eu respirar
Não aceito ser mané...
A morte não é problema
A vida também não é.
Não quero estar morto-vivo.
Também não sou um qualquer.
Enquanto eu respirar
Não aceito ser mané...
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