06 maio 2007
sol de outono
pela fresta da porta
entra um raio de sol
e me convida para a rua
abro as cortinas e me assombro
com a beleza do sol outonal
ele beija serenamente a grama
e afaga carinhosamente a manhã dominical...
na margem
arrasta-se qual lagarto
nas fronteiras do capital
passa fome, sede, medo
vale menos que animal
clandestino, rumo incerto
entre o bem e o tal do mal...
nas fronteiras do capital
passa fome, sede, medo
vale menos que animal
clandestino, rumo incerto
entre o bem e o tal do mal...
03 maio 2007
só riso
o cheiro de lençol limpo
o abraço com o travesseiro
o corpo quente e trigueiro
beleza mesma do olimpo...
a vida naquele palpite
a respiração serena
um close-up da sena
a fome e o apetite...
o olhar sem sensura
a boca em sorriso
sem precisar de jura...
tudo em ordem e preciso
sem norma ou frescura
respiração, e só riso...
o abraço com o travesseiro
o corpo quente e trigueiro
beleza mesma do olimpo...
a vida naquele palpite
a respiração serena
um close-up da sena
a fome e o apetite...
o olhar sem sensura
a boca em sorriso
sem precisar de jura...
tudo em ordem e preciso
sem norma ou frescura
respiração, e só riso...
01 maio 2007
maio
levantou
abriu a cortina
um dia vivo o abraçou
o sol sorria à matutina
e a brisa soprava seu hálito
odor da vida teimosa
sentiu-se quase infinito
na cena serena e misteriosa
era o milagre da vida
uma nova página a ser lida...
insônia
são olhos que pedem
paz e sossego
pedem sono, sonhos
e aconchego
são olhos que vagam
qual vaga-lume
no vasto negrume
das noites eternas
são olhos que esperam
contra toda esperança
o dia da bonança
são olhos que pedem...
paz e sossego
pedem sono, sonhos
e aconchego
são olhos que vagam
qual vaga-lume
no vasto negrume
das noites eternas
são olhos que esperam
contra toda esperança
o dia da bonança
são olhos que pedem...
27 abril 2007
25 abril 2007
horizonte
sou carne e osso
pedra que se quebra
água que congela
fogo...
sou o ar que sopra
redemoinho, tufão
raio, nuvem e trovão
poeira...
sou segredo e medo
um mundo de mistério
livre radicalmente
nada me determina difinitivamente
transcendente...
pedra que se quebra
água que congela
fogo...
sou o ar que sopra
redemoinho, tufão
raio, nuvem e trovão
poeira...
sou segredo e medo
um mundo de mistério
livre radicalmente
nada me determina difinitivamente
transcendente...
21 abril 2007
porção
bela beleza
não quero certeza
nem meias-verdades
sim, suporto saudades
até finjo e me assalto
subo no muro e salto
mas não minta assim
não arranque de mim
o pedaço que resta
da frase na testa
aquela frase torta
que era nossa porta...
não quero certeza
nem meias-verdades
sim, suporto saudades
até finjo e me assalto
subo no muro e salto
mas não minta assim
não arranque de mim
o pedaço que resta
da frase na testa
aquela frase torta
que era nossa porta...
20 abril 2007
brisa
na língua, gosto de existência salobra
nas mãos o tremor da manobra
manobra e desafios de ser
ser sem a dor da morte
sem depender da sorte
ser inteiro e não farelo
poder fruir do belo
da beleza sem moda
que até me deixe nódoa
e me acorde, desperte
o que em mim é inerte...
18 abril 2007
remoto
oco, cinza, vazio
forte desassossego
ainda afeito ao apego
numa existência sem brio
é como fosse e não fosse
estivesse e não estivesse
uma sensação inominável
um sentimento detestável
imediatismo cruel
não se compromete
mas na vida se mete
espalhando seu fel...
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