quatro aninhos
e uma bala no peito
quem matou kauã?
disseram que
a polícia não mata, age
11 pessoas mortas...
a tv mostrou
mata-se de cima
pra baixo
e o governador
cabral elogiou
há uma carta branca
pra tirar vidas...
18 outubro 2007
15 outubro 2007
tropa
“na cara não
pra não estragar o velório”
última frase de tropa de elite
em seguida o estrondo da 12
trummmmmmmmmmmmm
a elite nem se assusta
vibra na poltrona...
pra não estragar o velório”
última frase de tropa de elite
em seguida o estrondo da 12
trummmmmmmmmmmmm
a elite nem se assusta
vibra na poltrona...
13 outubro 2007
espécie
sou pedra que se quebra
sou água que congela
sou barro
sou bafo
hálito divino
sou fogo roubado
prometeu
sou apenas
eu
sou sorte
destino
sou múltiplo
sou grego
latino
sou mancha
sou pecado
sou anjo
amado
demônio
odiado
sou tudo
sou nada
sou rio
sou poça
sou gota
sou carne
osso
sou água parada
ou ressaca valente
sou animal bicho
e me deram o nome
de gente...
sou água que congela
sou barro
sou bafo
hálito divino
sou fogo roubado
prometeu
sou apenas
eu
sou sorte
destino
sou múltiplo
sou grego
latino
sou mancha
sou pecado
sou anjo
amado
demônio
odiado
sou tudo
sou nada
sou rio
sou poça
sou gota
sou carne
osso
sou água parada
ou ressaca valente
sou animal bicho
e me deram o nome
de gente...
12 outubro 2007
ânsia
no horizonte
um sonho distante
mas não pode viver
apenas em função
daquele ausente
há de agarrar o presente
e o que virá mais tarde
sem alarde
será complemento
do hoje bem vivido
e o bem vivido
não quer dizer
ausência do sofrer
até o sofrer pede
um sentido...
um sonho distante
mas não pode viver
apenas em função
daquele ausente
há de agarrar o presente
e o que virá mais tarde
sem alarde
será complemento
do hoje bem vivido
e o bem vivido
não quer dizer
ausência do sofrer
até o sofrer pede
um sentido...
07 outubro 2007
outubro
quase não dormiu
na verdade
dormiu nada
presentia um novo nascimento
acendeu a lamparina a querosene
e madrugou preparando o barro
tinha que terminar as encomendas
panelas, alguidares, potes...
de barro
moldados com suas mãos
mãos de mamãe
alguma coisa teve de inventar
para conseguir
o bocado dos pequenos
uma fila de inocentes
ali ressonando
nas fiangas de rede
tanto armador na casa...
o dia nasceu vemelho
o sol despontou
qual bola de fogo
o sertão é quente
outubro é mais ainda
e as dores aumentando
de parto
deixou tudo arrumadinho
casa, roupa, comida, tudo
e as dores aumentando
é quase meio-dia
é quinta-feira
chama a parteira
esvazia a casa
manda os pequenos
para a vizinhança
por volta das 12h
o sol a pino
lá fora o horizonte
tremia
e no quarto
dor e suor
nasceu
é menino...
na verdade
dormiu nada
presentia um novo nascimento
acendeu a lamparina a querosene
e madrugou preparando o barro
tinha que terminar as encomendas
panelas, alguidares, potes...
de barro
moldados com suas mãos
mãos de mamãe
alguma coisa teve de inventar
para conseguir
o bocado dos pequenos
uma fila de inocentes
ali ressonando
nas fiangas de rede
tanto armador na casa...
o dia nasceu vemelho
o sol despontou
qual bola de fogo
o sertão é quente
outubro é mais ainda
e as dores aumentando
de parto
deixou tudo arrumadinho
casa, roupa, comida, tudo
e as dores aumentando
é quase meio-dia
é quinta-feira
chama a parteira
esvazia a casa
manda os pequenos
para a vizinhança
por volta das 12h
o sol a pino
lá fora o horizonte
tremia
e no quarto
dor e suor
nasceu
é menino...
03 outubro 2007
alameda
ali o juízo
respira
expira
ali o juízo
padece
esquece
ali o juízo
suplica
complica
ali o juízo
acalma
alma
ali o juízo
chora
implora
ali o juízo
cansa
amansa
ali o juízo
voa
coa
ali o juízo
some
come
ali o juízo
esquece
amolece
ali o juízo
alumia
chia
ali o juízo
é
...
respira
expira
ali o juízo
padece
esquece
ali o juízo
suplica
complica
ali o juízo
acalma
alma
ali o juízo
chora
implora
ali o juízo
cansa
amansa
ali o juízo
voa
coa
ali o juízo
some
come
ali o juízo
esquece
amolece
ali o juízo
alumia
chia
ali o juízo
é
...
02 outubro 2007
visita
para zeli
havia pensado palavras
algo para dizer
à dona cecília
mas falei pouco
às vezes palavras
são dispensáveis
cheguei lá
a cumprimentei
ela tão serena
olhos de paz
simples como criança
olhar de afeição
mãe
mamãe
nona
palavras sonoras essas
e fiquei ali
apenas presente
contemplando
ouvindo
participando
na despedida
quis pedir a bênção
como faço a minha mãe
não precisou
com três beijinhos
sem palavras
ela me abençoou...
havia pensado palavras
algo para dizer
à dona cecília
mas falei pouco
às vezes palavras
são dispensáveis
cheguei lá
a cumprimentei
ela tão serena
olhos de paz
simples como criança
olhar de afeição
mãe
mamãe
nona
palavras sonoras essas
e fiquei ali
apenas presente
contemplando
ouvindo
participando
na despedida
quis pedir a bênção
como faço a minha mãe
não precisou
com três beijinhos
sem palavras
ela me abençoou...
avante
setembro se despediu lindo
pelo menos aqui em caxias
o dia 30, último domingo
foi um show de beleza
tudo de graça
ao ar livre
o sol brilhou forte
e o céu de tão azul
parecia tocar a terra
os plátanos vibrantes
com seu novos brotos
dançaram ao ritmo do vento
e a grama toda verdinha
encheu nossos olhos de esperança
tudo sinalizou para o horizonte
horizonte de vida abundante
é a primavera engatinhando
é tempo de fertilidade...
pelo menos aqui em caxias
o dia 30, último domingo
foi um show de beleza
tudo de graça
ao ar livre
o sol brilhou forte
e o céu de tão azul
parecia tocar a terra
os plátanos vibrantes
com seu novos brotos
dançaram ao ritmo do vento
e a grama toda verdinha
encheu nossos olhos de esperança
tudo sinalizou para o horizonte
horizonte de vida abundante
é a primavera engatinhando
é tempo de fertilidade...
30 setembro 2007
leva
não é estranho
nem engano
não é
coisa qualquer
olha e encara
cara-a-cara
sem preceito
ou preconceito
não se engane
não entre em pane
apenas ama
ama e viva
da vida
só o amor
a gente leva...
nem engano
não é
coisa qualquer
olha e encara
cara-a-cara
sem preceito
ou preconceito
não se engane
não entre em pane
apenas ama
ama e viva
da vida
só o amor
a gente leva...
piçarra
olha para trás
e ver sombras
passado rápido
qual relâmpago
a queimar o âmago...
passado efêmero
presente inquieto
de uma alma sedenta
na buscas do elo originário...
hora sem graça
sol fora e noite dentro
angústia e desespero
lua cheia escondida
por trás de uma nuvem fingida...
temporal vem e vai
e o ser despedaça
no compasso do tempo
naquele ritmo cloc, cloc
consome
e some
e ver sombras
passado rápido
qual relâmpago
a queimar o âmago...
passado efêmero
presente inquieto
de uma alma sedenta
na buscas do elo originário...
hora sem graça
sol fora e noite dentro
angústia e desespero
lua cheia escondida
por trás de uma nuvem fingida...
temporal vem e vai
e o ser despedaça
no compasso do tempo
naquele ritmo cloc, cloc
consome
e some
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