05 março 2008

patativa

a verdadeira arte
não pretende ser
nem popular
nem erudita
a verdadeira arte
é simplesmente arte´
PATATIVA é arte
***
se fosse vivo
o poeta pássaro
faria 99 anos hoje
mas está eternizado
em sua poética

03 março 2008

estalo

ainda estava escuro
silenciosa manhã dominical
de repente a idéia
qual um anjo enviado
deu o recado e partiu
lá fora uma brisa
caia leve e deitava
na grama
germinava a terra
aqui dentro
a idéia germinava
outros horizontes
março começou
vislumbrando 2009

02 março 2008

fúria

segue clandestino
desafia o destino
homem-menino
deixa que vejam a casca
apenas, somente a casca
já que é o que querem ver
mas não abandona o interior
poço profundo
escuro e tão fundo
sabem lá o que é a crueza de ser
de ser sem ser
para parecer
se querem assim
deixa ser
mas homem-menino
seja hoje

umbilical

desde o dia
em que saiu
pela primeira vez
de casa
com aquela mala
no saco
sente-se estrangeiro
acostuma-se
mas há sempre
uma sensação
desnexa

26 fevereiro 2008

mofumbo

não havia banheiro
a salvação era a moita
aquela de mofumbo
tava tão fraco
não podia descer a grota
agarrou-se nos cipós
e a luz dos olhos
qual bateria da tevê em preto e branco
começou a secar
levado pela mãe e pela irmã
acordou ouvindo choro
e o ruido dos próprios ouvidos
morrer não é difícil

24 fevereiro 2008

louvação

dois olhos pra ver
nariz pra cheirar
língua pra desgustar
cabeça pra ser
dedos pra tocar
lábios pra beijar
boca pra comer
pés pra andar
braços pra abraçar
corpo pro prazer
coração pra amar
ouvidos pra ouvir
silenciar e calar
é tão bom viver

19 fevereiro 2008

artista

nasci cheirando
a barro e sangue
e outros cheiros
o massapé porém
terra fértil
e escura
exalava mais
em mim
mamãe artista
oleira, louceira
seus dedos moldavam
penelas, potes, alguidares
lembro das pedrinhas
lisas que ela colhia
do riacho
para alisar
sua criação
quantas vezes
acariciou minha face
pedrinhas lisas
mãos de mamãe

18 fevereiro 2008

desenredo

o vento soprou quente
fez o sinal da cruz
sabe lá se não é
espírito mal
depois de benzer-se
olhou o céu e viu a lua
bem lá dentro
nitidamente avistou
são jorge e o dragão
tal e qual aquele
do quadro na parede
lembrou de quando
era criança
infância inocente
mamãe quem mora na lua?
são jorge, meu fii
ele sozinho, mamãe?
não, ele e um dragão
de repente viu
um rio de sangue
a lança do santo
acertou o pescoço
da fera

14 fevereiro 2008

miragem

sugou o amargo
da noite insone
no espelho
na testa
um nome
sem sobrenome
trancou a angústia
travou as palavras
trincou os dentes
degustou o gosto
de ser só
de ser margem
miragem
lá fora
o sol
era dia
de viver

13 fevereiro 2008

tadinho

hoje tenho nada
pra dizer não
que saco é
querer entender
entendo nada não
tou cheio
dos que entendem
ou que têm respostas
que o verbo
socorra
senão