a lua me chama
não posso
eclipse lá em cima
e em mim
ao menos a saliva
molhando o céu
da boca
ardente
e cada dente
deseja morder
o instante fugaz
e o corpo quente
em brasa
geme paz
17 agosto 2008
08 agosto 2008
8.8.08
fora era dia
dentro, noite
melancolia
tudo por pensar no tempo
qual esfinge
que traga, devora
faz rugas
atrofia
dentro, noite
melancolia
tudo por pensar no tempo
qual esfinge
que traga, devora
faz rugas
atrofia
04 agosto 2008
nota
é do tipo de homem que chora
de alegria, de tristeza, de saudade
de não sabe de que
e porque
em frente a tela
na solidão do espelho
nas horas que pedem colo
nas travessias
nos vazios do ser
de alegria, de tristeza, de saudade
de não sabe de que
e porque
em frente a tela
na solidão do espelho
nas horas que pedem colo
nas travessias
nos vazios do ser
02 agosto 2008
desabafo
triste pela ignorância
com sede de saber
vontade de poder
e na crise por não ser
por não ser profundo
por estar em pedaço
por não ter parte no mundo
por experimentar o fracasso
com sede de saber
vontade de poder
e na crise por não ser
por não ser profundo
por estar em pedaço
por não ter parte no mundo
por experimentar o fracasso
01 agosto 2008
estrangeiro
nasceu na margem
sem direção certa
sempre estrangeiro
perdido
em terra deserta...
Adri diz:
...e então acordou numa cama
que nunca seria sua!!!
Ira diz:
levantou sem noção
correu nu pela rua
despovoada e cinza
tudo doía
o corpo tremia
a vida se esvaía
o começo ou o fim
seria
e desejou voltar ao útero
sem direção certa
sempre estrangeiro
perdido
em terra deserta...
Adri diz:
...e então acordou numa cama
que nunca seria sua!!!
Ira diz:
levantou sem noção
correu nu pela rua
despovoada e cinza
tudo doía
o corpo tremia
a vida se esvaía
o começo ou o fim
seria
e desejou voltar ao útero
31 julho 2008
de angustia e sofreguidão
a pessoa contou sua dor
disse que às vezes chora
chora sem entender o porquê
chora pelo sem sentido
pelo vazio da vida
disse já ter conseguido
quase tudo que sonhara
carro, casa, emprego...
mas não tem amor
não sabe o que é amar
beija com frequência
e o faz sem pudor
nas baladas perde a conta
de quantas bocas beijou
disse que às vezes chora
chora sem entender o porquê
chora pelo sem sentido
pelo vazio da vida
disse já ter conseguido
quase tudo que sonhara
carro, casa, emprego...
mas não tem amor
não sabe o que é amar
beija com frequência
e o faz sem pudor
nas baladas perde a conta
de quantas bocas beijou
12 julho 2008
ímpeto
dentro, bem no íntimo
a vontade de chegar lá
a voz interior grita
vai ter de esperar
é que são tantas as curvas
da história, de si mesmo
impostas, criadas ou necessárias
por enquanto apenas teimosia
buscando nas brechas da vida
fragmentos de alegria
a vontade de chegar lá
a voz interior grita
vai ter de esperar
é que são tantas as curvas
da história, de si mesmo
impostas, criadas ou necessárias
por enquanto apenas teimosia
buscando nas brechas da vida
fragmentos de alegria
09 julho 2008
caule
agonia
sem forças pra seguir
nas mãos pesada pedra
no coração um furo
foi bicada de corvo
pros outros
não passa d'um estorvo
sofre feito presa
esperando o fim
nas mãos pesada pedra
no coração um furo
foi bicada de corvo
pros outros
não passa d'um estorvo
sofre feito presa
esperando o fim
27 junho 2008
verdes molhados
belos e tristes
eram seu olhos
não tinham nada
de ressaca
eram precoces
um texto vivo
de um corpo jovem
vendido e usado
mucho quando devia florir
mocidade amputada
pele cheirando a dor
humano objeto
olhinhos molhados
qual vaga-lume triste
numa noite escura
sem excitação
apenas dois fachos
de uma luz verde
sem esperança
eram seu olhos
não tinham nada
de ressaca
eram precoces
um texto vivo
de um corpo jovem
vendido e usado
mucho quando devia florir
mocidade amputada
pele cheirando a dor
humano objeto
olhinhos molhados
qual vaga-lume triste
numa noite escura
sem excitação
apenas dois fachos
de uma luz verde
sem esperança
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