hoje é aniversário do poeta
100 anos.
ele morreu em 2002
mas se eternizou
por meio da poesia
2009 é dele
como homenagem
neste dia
posto o seu poema
"o sabiá vaidoso"
"um sabiá vaidoso do seu canto,
se julgava um maestro quase santo
e de todas as aves a primeira
na linda copa de uma laranjeira
seu gorjeio repleto de doçura
despertava saudade, amor, ternura
de orgulhoso e vaidoso ele pensava
que o mundo inteiro a ele se curvava,
com a força vibrante de harmonia
novas notas criou naquele dia
um simples passarinho, uma avezinha,
que nem sequer no mundo um nome tinha,
por direito que assiste ao passarinho
naquela copa fez também seu ninho
e modesto, com muita singeleza,
obedecendo à sábia natureza,
cheio de vida o seu biquinho abriu
piu, piu, piu, piu, piu
piu, piu, piu, piu, piu
piu, piu, piu, piu, piu.
o sabiá se achando enfurecido,
para ele falou, seu atrevido!
com este canto que soltaste agora
tu desvirtuas minha voz sonora,
com a tua cantiga dissonante
tu não passas de um bicho ignorante,
eu não quero te ouvir perto de mim,
quem te ensinou cantar feio assim?
do passarinho pobre de harmonia,
mas muito rico de filosofia,
logo a resposta o sabiá ouviu:
– este meu canto, piu, piu, piu, piu, piu
que o destino fiel me permetiu
para ninar os filhotinhos meus,
seu sabiá quem me ensinou foi deus!"
fonte: patativa do assaré. melhores poemas. org. cláudio portella. são paulo: global, 2006. pp.191-192
05 março 2009
04 março 2009
se
se eu falhar
ou faltar
rápido te olhar
se eu fingir
ou fugir
é que algo em mim
hoje é imprecisão
divivisão
não me leve a mal
são meus cacos
é o meu momento anormal
é o animal
que logo sou
com todo respeito aos bixinhos
principalmente os amiguinhos
é só um tantinho de dor
tá, meu amor
logo, logo
meu rio chega ao lago
te encontro lá...
ou faltar
rápido te olhar
se eu fingir
ou fugir
é que algo em mim
hoje é imprecisão
divivisão
não me leve a mal
são meus cacos
é o meu momento anormal
é o animal
que logo sou
com todo respeito aos bixinhos
principalmente os amiguinhos
é só um tantinho de dor
tá, meu amor
logo, logo
meu rio chega ao lago
te encontro lá...
02 março 2009
olhar de bebê
o bebê no colo da mãe
no ônibus
me olhou
encarou mesmo
um olhar sem fuga
puro
cheguei a desviar o olhar
não por medo
talvez pela verdade
daqueles dois fachinhos de luz
depois fiquei pensando:
seria eu para ele o outro totalmente outro...
no ônibus
me olhou
encarou mesmo
um olhar sem fuga
puro
cheguei a desviar o olhar
não por medo
talvez pela verdade
daqueles dois fachinhos de luz
depois fiquei pensando:
seria eu para ele o outro totalmente outro...
01 março 2009
março
virei a página do calendário
o tempo me cochichou
fiz que entendi
mas nada compreendi do que falou
ele percebeu e me fez cara feia
sorri com ironia
dei boas vinda a março
quero ver quem manda em quem
quero é mais
quero paz...
o tempo me cochichou
fiz que entendi
mas nada compreendi do que falou
ele percebeu e me fez cara feia
sorri com ironia
dei boas vinda a março
quero ver quem manda em quem
quero é mais
quero paz...
28 fevereiro 2009
líquido
quando em mim
tudo pede colo
a música é triste
o trabalho é tédio
o sábado é segunda
as letras embaçam
e o pensamento não quer ser
porque saber é também sofrer
daí invento um tantinho de vida
por vezes, fecho os olhos e fujo
sonho longe de mim mesmo
deste mundo que se apresenta
insípido
agora quero água
sinto muita sede
tantas águas
vida, vida minha
vibra em mim
agita minhas veias
hoje quero ser rio
que deflui...
tudo pede colo
a música é triste
o trabalho é tédio
o sábado é segunda
as letras embaçam
e o pensamento não quer ser
porque saber é também sofrer
daí invento um tantinho de vida
por vezes, fecho os olhos e fujo
sonho longe de mim mesmo
deste mundo que se apresenta
insípido
agora quero água
sinto muita sede
tantas águas
vida, vida minha
vibra em mim
agita minhas veias
hoje quero ser rio
que deflui...
27 fevereiro 2009
surreal
os olhos eram duas lagoas
com movimento de canoas
não sei quem as remavam
pois o sonho não foi claro
e havia som de disparo
mas duas almas choravam
choravam desenganadas
como se fossem bicadas
pelo abutre de kafka
e os barqueiros invisíveis
deviam ser insensíveis
a cada clamor e súplica...
com movimento de canoas
não sei quem as remavam
pois o sonho não foi claro
e havia som de disparo
mas duas almas choravam
choravam desenganadas
como se fossem bicadas
pelo abutre de kafka
e os barqueiros invisíveis
deviam ser insensíveis
a cada clamor e súplica...
26 fevereiro 2009
sôfrego
uma chuva fininha cai lá fora
aqui dentro tic-tac de hora
meu olhar se derrete na tela
este céu vago sem estrela
no âmago o uivo do tempo
fujo
vou respirar noutra janela...
aqui dentro tic-tac de hora
meu olhar se derrete na tela
este céu vago sem estrela
no âmago o uivo do tempo
fujo
vou respirar noutra janela...
25 fevereiro 2009
cinzas
extingue-se o fogo
em um tempo ranzinza
acaba-se o jogo
restam-se as cinzas
cinzas purificadas
pelo fogo abrasador
matérias trinturadas
resíduo frio da dor
símbolo escuro da morte
transitoriedade da vida
horizonte de outro norte
de descida ou de subida
cruz riscada na testa
promessa de ressurreição
seja outra vida ou esta
quero amor no coração...
em um tempo ranzinza
acaba-se o jogo
restam-se as cinzas
cinzas purificadas
pelo fogo abrasador
matérias trinturadas
resíduo frio da dor
símbolo escuro da morte
transitoriedade da vida
horizonte de outro norte
de descida ou de subida
cruz riscada na testa
promessa de ressurreição
seja outra vida ou esta
quero amor no coração...
24 fevereiro 2009
beber vida
para Adri e Biba
naquele belo ambiente
me senti muito à vontade
a tarde foi um presente
pra hoje e pra eternidade
toda a casa estava cheia
de uma energia muito boa
o chá foi como uma ceia
sagrada pra três pessoas
porque a amizade é um dom
um tesouro que nos foi dado
um presente assim tão bom
deve ser sempre brindado
obrigado a vocês
pelo abraço e acolhida
como tudo tem sua vez
ontem bebemos vida...
naquele belo ambiente
me senti muito à vontade
a tarde foi um presente
pra hoje e pra eternidade
toda a casa estava cheia
de uma energia muito boa
o chá foi como uma ceia
sagrada pra três pessoas
porque a amizade é um dom
um tesouro que nos foi dado
um presente assim tão bom
deve ser sempre brindado
obrigado a vocês
pelo abraço e acolhida
como tudo tem sua vez
ontem bebemos vida...
22 fevereiro 2009
um olhar
os olhos de amêndoas
eram como mel no favo
prontos para serem comidos
lambidos, deglutidos
vontade de colocá-los
na palma da mão
acariciá-los
vontade de comê-los
como a olhos de peixe
me deixei hipnotizar
é isso foi tudo
o resto, não sei mais
fiquei sem ar
e por um tempo
perdi a paz...
eram como mel no favo
prontos para serem comidos
lambidos, deglutidos
vontade de colocá-los
na palma da mão
acariciá-los
vontade de comê-los
como a olhos de peixe
me deixei hipnotizar
é isso foi tudo
o resto, não sei mais
fiquei sem ar
e por um tempo
perdi a paz...
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