eu nunca sei quem sou
e na verdade sempre sei
que sou assim mesmo
cada vez que volto
do lugar que me gerou
cada vez que saio dos abraços
dos que amo
aí o vazio me invade
aí me dou conta
que sou o sempre menino
que vai e vem
e chora quando sai de casa
é a saudade de casa
casa minha
família...
21 janeiro 2011
14 dezembro 2010
13 novembro 2010
relâmpago
a luz de dentro é mais forte que a luz de fora
meus olhos querem ver a luz de dentro
resisto!
carga elétrica de seus olhos
tenho medo
e tal quando era criança
caio no chão após o relâmpago
e ponho as mãos nos ouvidos
para fugir do barulho do trovão
e o coração acelera
a luz é de dentro
minha salvação
ou perdição...
meus olhos querem ver a luz de dentro
resisto!
carga elétrica de seus olhos
tenho medo
e tal quando era criança
caio no chão após o relâmpago
e ponho as mãos nos ouvidos
para fugir do barulho do trovão
e o coração acelera
a luz é de dentro
minha salvação
ou perdição...
09 novembro 2010
pessoas grandes
as pessoas grandes
são mesmo complicadas
elas cativam pessoas
e chega o dia em que
simplesmente dizem:
não quero mais a sua amizade
um mundo assim
descartável
é de morte, de dor, de desespero...
são mesmo complicadas
elas cativam pessoas
e chega o dia em que
simplesmente dizem:
não quero mais a sua amizade
um mundo assim
descartável
é de morte, de dor, de desespero...
08 novembro 2010
despossuído
nu cheguei aqui
nunca tive nada nem terei
posso até me apegar a coisas e pessoas
mas nada será meu
um dia até o amor
aquele que se disse eterno
esvai-se
trai
acaba
some
enterra-se...
02 novembro 2010
UM DIA DE MEMÓRIA
O sol nasceu por trás da serra. Da janela do quarto se podia vê-lo inteiro, feito uma tocha vermelha. O dia nascia assim: intenso e convidativo. Não havia como continuar na cama. Era um dia vivo, desses que a gente diz a si mesmo: como é bom estar vivo!
Levantou. Ainda não muito desperto. Naquela fase entre o sono e o despertar. Espreguiçou-se. Abriu bem os olhos, e diante de si estava uma foto.
Foto de família. Aproximou-se como se a estivesse vendo pela primeira vez. Como numa cena de filme ou de novela, seu pensamento o transportou para a infância. Estava lá, brincando no grande terreiro de barro vermelho da casa dos avós.
Seus olhos brilhavam e as pupilas nadavam nas lembranças. Viu nas recordações o vovô Zuza. Ele sentado em sua cadeira, olhando o nascente. Fazia isso com frequência, ao final da tarde, quando na frente da casa fazia sombra e o sol declinava do outro lado. Como vovô deve ter sofrido quando teve de deixar aquele espaço sagrado para morar na cidade. Esse sofrimento deve ter apressado sua morte.
Certamente não havia necessidade da construção daquele açude. Foi projeto de vingança do prefeito insensível à história do povo. A água veio e cobriu tudo das famílias do povoado. Árvores centenárias, entre as quais tantas mangueiras frondosas, e casas antigas. Mais que isso, a água cobriu a memória. Sem memória o povo não tem vida.
Diante da foto, lembrou-se que vovô gostava muito de ler Os sertões, obra que tornou famosa a frase: “O sertanejo é antes de tudo um forte”. É também lá que se narra a destruição de Canudos, povo de esperança, que acreditava no céu já aqui na terra. Os poderosos se encarregaram de construir uma grande barragem para matar a memória de luta e resistência daquela gente.
Voltou das lembranças e se viu de novo no quarto. Olhou para o calendário: dia de finados. Sentiu certo aperto no peito. Mas pensou: “Não é dia de tristeza, é dia de memória pela vida”.
Preparou-se para viver bem o dia. Afinal o amanhecer estava lindo e o céu, de um azul intenso. Alegrava a alma. Prometeu fazer memória da vida dos que já não estão neste mundo e esforçar-se para que os projetos de morte não destruam a memória viva dos pobres. E disse baixinho: “Com a memória a vida vence a morte”. Abriu a porta e saiu para abraçar a vida que se oferecia lá fora.
Levantou. Ainda não muito desperto. Naquela fase entre o sono e o despertar. Espreguiçou-se. Abriu bem os olhos, e diante de si estava uma foto.
Foto de família. Aproximou-se como se a estivesse vendo pela primeira vez. Como numa cena de filme ou de novela, seu pensamento o transportou para a infância. Estava lá, brincando no grande terreiro de barro vermelho da casa dos avós.
Seus olhos brilhavam e as pupilas nadavam nas lembranças. Viu nas recordações o vovô Zuza. Ele sentado em sua cadeira, olhando o nascente. Fazia isso com frequência, ao final da tarde, quando na frente da casa fazia sombra e o sol declinava do outro lado. Como vovô deve ter sofrido quando teve de deixar aquele espaço sagrado para morar na cidade. Esse sofrimento deve ter apressado sua morte.
Certamente não havia necessidade da construção daquele açude. Foi projeto de vingança do prefeito insensível à história do povo. A água veio e cobriu tudo das famílias do povoado. Árvores centenárias, entre as quais tantas mangueiras frondosas, e casas antigas. Mais que isso, a água cobriu a memória. Sem memória o povo não tem vida.
Diante da foto, lembrou-se que vovô gostava muito de ler Os sertões, obra que tornou famosa a frase: “O sertanejo é antes de tudo um forte”. É também lá que se narra a destruição de Canudos, povo de esperança, que acreditava no céu já aqui na terra. Os poderosos se encarregaram de construir uma grande barragem para matar a memória de luta e resistência daquela gente.
Voltou das lembranças e se viu de novo no quarto. Olhou para o calendário: dia de finados. Sentiu certo aperto no peito. Mas pensou: “Não é dia de tristeza, é dia de memória pela vida”.
Preparou-se para viver bem o dia. Afinal o amanhecer estava lindo e o céu, de um azul intenso. Alegrava a alma. Prometeu fazer memória da vida dos que já não estão neste mundo e esforçar-se para que os projetos de morte não destruam a memória viva dos pobres. E disse baixinho: “Com a memória a vida vence a morte”. Abriu a porta e saiu para abraçar a vida que se oferecia lá fora.
31 outubro 2010
meu querer
quero as tardes de sábado
aquelas em que o mundo girava
na ponta do pião
pura invenção da mente
criação imaginária de outro mundo
mundo meu
nada verdade
eu não queria a verdade
hoje neste afã pela verdade
eu não quero as tardes de domingo
em que minha cabeça gira feito pião
e meu ser congela em solidão...
aquelas em que o mundo girava
na ponta do pião
pura invenção da mente
criação imaginária de outro mundo
mundo meu
nada verdade
eu não queria a verdade
hoje neste afã pela verdade
eu não quero as tardes de domingo
em que minha cabeça gira feito pião
e meu ser congela em solidão...
25 outubro 2010
vivo
se quero ser os dedos ou o piano
22 outubro 2010
ausência
a poesia é um modo de tornar a vida suportável
vem
musa minha
volta logo
vem hoje
nesta noite de lume afiado
lua cheia de outubro...
vem
musa minha
volta logo
vem hoje
nesta noite de lume afiado
lua cheia de outubro...
17 outubro 2010
Assinar:
Postagens (Atom)
