nasceu para correr, sabia
corria, corria, corria
atrás de quem já tinha companhia
olhava longe, nem vulto via
voltava meio arredio
na face o vento frio
e lá no poço, um vazio..
15 agosto 2012
14 agosto 2012
sinal
a música não era alegre nem triste
talvez sem medida ou no intermédio
no ar havia um dedo em riste
dentro
uma alma como nuvem fina desfiava
o peito pulsante pedia remédio
é que o sol desceu sem se mostrar
no alto um avião dava sinal do fugitivo
tudo é a ponta de um mistério
sim, estava escrito, lá estava o motivo...
talvez sem medida ou no intermédio
no ar havia um dedo em riste
dentro
uma alma como nuvem fina desfiava
o peito pulsante pedia remédio
é que o sol desceu sem se mostrar
no alto um avião dava sinal do fugitivo
tudo é a ponta de um mistério
sim, estava escrito, lá estava o motivo...
07 agosto 2012
presença
inquietude vigilante
quando a face almeja o travesseiro
e lá do profundo da alma um poema nascendo
possessão, entidade poética
construo uma aldeia imaginária
uma voz vinda de lugar nenhum ressoa
então me dou conta: é em vão
como invocar tua presença
se estás em toda parte
e preenches todos os espaços de minha existência?
quando a face almeja o travesseiro
e lá do profundo da alma um poema nascendo
possessão, entidade poética
construo uma aldeia imaginária
uma voz vinda de lugar nenhum ressoa
então me dou conta: é em vão
como invocar tua presença
se estás em toda parte
e preenches todos os espaços de minha existência?
06 agosto 2012
livre
lamentava do abandono
havia tempos sentia-se cão sem dono
um dia resolveu ser ela
sempre ficava olhando da janela
naquele dia abriu a porta e saiu
nem levou malas, partiu
encontrou o pão que mata toda a fome
não sentiu mais sede, nem vergonha do próprio nome...
havia tempos sentia-se cão sem dono
um dia resolveu ser ela
sempre ficava olhando da janela
naquele dia abriu a porta e saiu
nem levou malas, partiu
encontrou o pão que mata toda a fome
não sentiu mais sede, nem vergonha do próprio nome...
05 agosto 2012
mira
o sol se despede
na hora em que a gente colo pede
no peito o domingo pulsa
e a saudade repulsa
o vácuo sem nome
o soco no abdome
então se respira, respira, respira
e do fundo do ser o sentido mira
uma prece se eleva
a noite a luz leva...
na hora em que a gente colo pede
no peito o domingo pulsa
e a saudade repulsa
o vácuo sem nome
o soco no abdome
então se respira, respira, respira
e do fundo do ser o sentido mira
uma prece se eleva
a noite a luz leva...
04 agosto 2012
caco
o amor é pão
ainda que em nacos
farelos, cacos
o amor é líquido
vinho e sangue
nas veias
última ceia...
ainda que em nacos
farelos, cacos
o amor é líquido
vinho e sangue
nas veias
última ceia...
02 agosto 2012
31 julho 2012
simples
nem ambicionavam riqueza
queriam apenas sombra e água frescas
fogo na panela
um cão amigo de guarda
ou mesmo um alpendre simples
e rede no armador, ah, bastava!
isso traduzia dignidade, amor
a filharada lá fora inventava brinquedo no outão...
queriam apenas sombra e água frescas
fogo na panela
um cão amigo de guarda
ou mesmo um alpendre simples
e rede no armador, ah, bastava!
isso traduzia dignidade, amor
a filharada lá fora inventava brinquedo no outão...
30 julho 2012
dança
metamorfoseava-se em gelo seco
o corpo feito fios de fumaça
misturava-se à música sem letra
girava, girava, girava como pião
a fumaça era o desenho da vida dissolvente
os olhos acesos eram jogos de luzes
relampejavam, relampejavam, relampejavam
a bebida quente descia e subia
o mundo da vida na fumaça sumia...
o corpo feito fios de fumaça
misturava-se à música sem letra
girava, girava, girava como pião
a fumaça era o desenho da vida dissolvente
os olhos acesos eram jogos de luzes
relampejavam, relampejavam, relampejavam
a bebida quente descia e subia
o mundo da vida na fumaça sumia...
29 julho 2012
de coração
disse de coração aberto
que seguiria a receita
respirar, expirar, respirar
mas o ar lhe falta
o pulmão se zanga
feito crise asmática
o ar se esvai
e o sentido derrete, escorre
feito saco plástico no fogo
sem nada dizer
cala, recolhe-se nas mãos
nas mãos do nada
esperando que o ar volte...
que seguiria a receita
respirar, expirar, respirar
mas o ar lhe falta
o pulmão se zanga
feito crise asmática
o ar se esvai
e o sentido derrete, escorre
feito saco plástico no fogo
sem nada dizer
cala, recolhe-se nas mãos
nas mãos do nada
esperando que o ar volte...
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