toda água de represa
anseia pela sangria
o vigia deseja sempre
a aurora do novo dia
a tristeza não tem vez
se no interior há alegria....
25 outubro 2012
20 outubro 2012
inundação
entre arames farpados
ali não lhe cabia
a alma árida
lá fora a liberdade corria
livre, livre, livre
não desistiu de amar
então a ternura se fez
deixou-se inundar....
ali não lhe cabia
a alma árida
lá fora a liberdade corria
livre, livre, livre
não desistiu de amar
então a ternura se fez
deixou-se inundar....
17 outubro 2012
paz
quando de si quase se perdia
ofegante o morro subia
ao encontro do silêncio
aquele de mosteiro
e a alma em arrepio
ofegante o morro subia
ao encontro do silêncio
aquele de mosteiro
e a alma em arrepio
gemia quieta
sede, fome, desejos
poço sem fundo
rio perene rumo ao profundo
então as vozes ecoavam
o coração ardia forte
o peito em coral
amém, amém, amém...
sede, fome, desejos
poço sem fundo
rio perene rumo ao profundo
então as vozes ecoavam
o coração ardia forte
o peito em coral
amém, amém, amém...
13 outubro 2012
olhar
de repente
um olhar soflagrante
num átimo, razoável comum
de uma cor sem nome
destituído de qualquer sinal de amor
um olhar soflagrante
num átimo, razoável comum
de uma cor sem nome
destituído de qualquer sinal de amor
não havia tempo, espaço
meio lama, meio aço
olhar de fome
nenhuma abertura
os olhos, nossos donos...
meio lama, meio aço
olhar de fome
nenhuma abertura
os olhos, nossos donos...
11 outubro 2012
vira-lata
a paz é o Jupi lá de casa
deita no meio da estrada
nem teme pontapé
sol já alto
abre um olho
espia o mundo
ressona
a paz é vira-lata...
deita no meio da estrada
nem teme pontapé
sol já alto
abre um olho
espia o mundo
ressona
a paz é vira-lata...
10 outubro 2012
força
uma lâmina fina de suor frio banhou-lhe a testa
murmurou uma reza sem nome enquanto o estômago dava voltas
quis abraçar a si, carne trêmula e fraca
ajoelha
e feito mulher de Atenas
fustigada não chora...
murmurou uma reza sem nome enquanto o estômago dava voltas
quis abraçar a si, carne trêmula e fraca
ajoelha
e feito mulher de Atenas
fustigada não chora...
09 outubro 2012
colo
sentia-se arredio
não havia nada de novo debaixo do céu
lá no meio da coluna, certo arrepio
tipo o frio que queima
e o gosto da ausência feito pigarro
teima, teima, teima
não é fumaça, nem cigarro
fez que engolia
lembrou-se dos soluços engolidos
tantas vezes
não havia nada de novo debaixo do céu
lá no meio da coluna, certo arrepio
tipo o frio que queima
e o gosto da ausência feito pigarro
teima, teima, teima
não é fumaça, nem cigarro
fez que engolia
lembrou-se dos soluços engolidos
tantas vezes
agora feito água parada
disse para si em voz alta:
não se engole melancolia
foi quando tudo desceu ralo abaixo
não sentiu alegria
a água porém acalmou os poros
e lá no íntimo se ouvia algo canoro...
disse para si em voz alta:
não se engole melancolia
foi quando tudo desceu ralo abaixo
não sentiu alegria
a água porém acalmou os poros
e lá no íntimo se ouvia algo canoro...
05 outubro 2012
profundo
se o discurso sai da garganta
sem raízes no coração
nem uma gota de emoção
a gente não se espanta
até fazemos olhar de santa
mas com ouvidos serrados
e a mente noutros estados
seja em almoço ou em janta
a palavra é coisa séria
tem de vir pelas artérias
lá do nosso poço fundo
deve ser bem preparada
do orgulho esvaziada
dizer do que é profundo...
sem raízes no coração
nem uma gota de emoção
a gente não se espanta
até fazemos olhar de santa
mas com ouvidos serrados
e a mente noutros estados
seja em almoço ou em janta
a palavra é coisa séria
tem de vir pelas artérias
lá do nosso poço fundo
deve ser bem preparada
do orgulho esvaziada
dizer do que é profundo...
01 outubro 2012
estrela
o céu estava tão estrelado
parecia tocar a terra
não havia planície nem serra
os olhos admirados, calados
brilhavam em direção ao infinito
infinito no chão, no solo do coração
tudo era bonito
bem no momento em que uma lágrima escorria
enquanto uma estrela solitária caía...
parecia tocar a terra
não havia planície nem serra
os olhos admirados, calados
brilhavam em direção ao infinito
infinito no chão, no solo do coração
tudo era bonito
bem no momento em que uma lágrima escorria
enquanto uma estrela solitária caía...
19 setembro 2012
sorriso coberto
não tinha dentes
nenhum sequer
escondia a graça com a mão
envergonhada cobria a alegria
a gengiva lamentava o dessabor
a vida real mesmo era nos sonhos
quando dormia e ria um sorriso cheio de dentes
aí ela existia...
nenhum sequer
escondia a graça com a mão
envergonhada cobria a alegria
a gengiva lamentava o dessabor
a vida real mesmo era nos sonhos
quando dormia e ria um sorriso cheio de dentes
aí ela existia...
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