quando o céu desaguar
haverá o grande encontro
e nas veias abertas da terra
a vida escondida renascerá...
07 novembro 2012
05 novembro 2012
o trem seguia
Olhou com súbito desejo
feito gatinho lambendo os beiços
baixou o olhar qual cãozinho repreendido
o sol pregava denso na pele
então, mirou o infinito
e sem notar
fez uma careta bem feia pro mundo
o trem seguia
logo chegaria
Deus guia...
feito gatinho lambendo os beiços
baixou o olhar qual cãozinho repreendido
o sol pregava denso na pele
então, mirou o infinito
e sem notar
fez uma careta bem feia pro mundo
o trem seguia
logo chegaria
Deus guia...
01 novembro 2012
alma grande
tinha a alma grande, diziam
por vezes, sentia o coração triturado
nem por isso cedeu ser alma pequena
entrou deserto adentro, foi tentado
feito Paulo, Francisco ou Teresa
sabe que o mundo é arena...
por vezes, sentia o coração triturado
nem por isso cedeu ser alma pequena
entrou deserto adentro, foi tentado
feito Paulo, Francisco ou Teresa
sabe que o mundo é arena...
31 outubro 2012
menor abandonado
já não era menino
mas tinha cara de menor abandonado
tadinho, diziam, é carente
coitado
abraça, quer colo
olhos aguados
miragem ausente
chora fácil
tolo não é, porém
o menino da foto
mas tinha cara de menor abandonado
tadinho, diziam, é carente
coitado
abraça, quer colo
olhos aguados
miragem ausente
chora fácil
tolo não é, porém
o menino da foto
seu olhar agudo
pergunta: quem é quem
voz de ninguém
quem sabe um dia
seja alguém...
pergunta: quem é quem
voz de ninguém
quem sabe um dia
seja alguém...
30 outubro 2012
cais do peito
inventar amizade não há
há a vontade de ligar
ligar duas solidões
unir corações reais
de sangue e carne
se a pupila dilatar
ou a lágrima teimar
foi autêntico
uma hora o peito baterá mais forte
e lá do cais do peito
há a vontade de ligar
ligar duas solidões
unir corações reais
de sangue e carne
se a pupila dilatar
ou a lágrima teimar
foi autêntico
uma hora o peito baterá mais forte
e lá do cais do peito
um aceno
para o sol
o amigo dos nascentes e poentes...
para o sol
o amigo dos nascentes e poentes...
28 outubro 2012
simples
não esperava a carta trazida pelo mar
dentro de uma garrafa
nem desejava o alcance da girafa
esperava que o celular tocasse
e ouvir nada mais além de um "oi"
esperava abrir o e-mail e ler "meu querido
o simples lhe deixava embevecido
tocava-lhe a alma
era-lhe acessível...
então abriu o livro
dentro de uma garrafa
nem desejava o alcance da girafa
esperava que o celular tocasse
e ouvir nada mais além de um "oi"
esperava abrir o e-mail e ler "meu querido
o simples lhe deixava embevecido
tocava-lhe a alma
era-lhe acessível...
então abriu o livro
e viajou num mundo sensível
pousou livre, suave e solto
mundo seu
a imaginação lhe deixava todo absolto
o mundo sua casa...
pousou livre, suave e solto
mundo seu
a imaginação lhe deixava todo absolto
o mundo sua casa...
27 outubro 2012
verso
quando tudo se liquefaz
ali a voz presa na goela
a noite desce fundo
na cara os olhos pedindo janela
janela da alma ou janela da casa
tuda vaza, segredos e medos
o tum-tum-tum pulsa e treme
o coração fora do peito
no vácuo o vento range ou geme
e o pensamento peita a razão
ali a voz presa na goela
a noite desce fundo
na cara os olhos pedindo janela
janela da alma ou janela da casa
tuda vaza, segredos e medos
o tum-tum-tum pulsa e treme
o coração fora do peito
no vácuo o vento range ou geme
e o pensamento peita a razão
em voo liberto
a voz ressoa
"faça-se a luz"
a saudade acordou
foi quando o anjo sorriu
e o verso se partiu
verso é intermédio
quando não, remédio...
a voz ressoa
"faça-se a luz"
a saudade acordou
foi quando o anjo sorriu
e o verso se partiu
verso é intermédio
quando não, remédio...
26 outubro 2012
gentileza
não tinha nada
nem ninguém
bolso sempre sem
tinha quase tudo:
liberdade interior
vontade de beleza
nenhuma certeza
farelinhos de amor
vez e quando...
foi-se um dia
é sempre lembrado
por sua gentileza e alegria...
nem ninguém
bolso sempre sem
tinha quase tudo:
liberdade interior
vontade de beleza
nenhuma certeza
farelinhos de amor
vez e quando...
foi-se um dia
é sempre lembrado
por sua gentileza e alegria...
25 outubro 2012
sangria
toda água de represa
anseia pela sangria
o vigia deseja sempre
a aurora do novo dia
a tristeza não tem vez
se no interior há alegria....
anseia pela sangria
o vigia deseja sempre
a aurora do novo dia
a tristeza não tem vez
se no interior há alegria....
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