Por Ira Brito
Há um clima diferente
Quando chega o Natal
Nuvens leves anunciam
Que é momento especial
Quem nasce traz alegria
E esperança sem igual...
A esperança é criança
Filha legítima do amor
Vem preencher o vazio
Mandar embora a dor
Da humanidade ferida
Que vive a peste, o terror...
Mas a esperança não cai
De pára-quedas na terra
Ela vem em carne e osso
Combater o que é guerra
Traz a mensagem de paz
E a miséria desterra...
Há também algo triste
Meio sem explicação
As melodias surradas
Ainda provocam emoção
Os pisca-piscas aceleram
O pulsar do coração...
Tudo em volta é correria
O tempo é tão fugaz!
A vida treme na esquina
Todos querem beber paz
Os anúncios contagiam
Com seu apelo sagaz...
As vitrines vendem sonhos
Os letreiros nos seduzem
O colorido arde os olhos
Comerciais nos induzem
O ruge-ruge nos shoppings
Ao frenesi nos conduzem...
É também tempo de adeus
Chega a hora de partir
A saudade dói no peito
Sem ter pena de ferir
Ela deságua lá dentro
No propósito do devir...
Carinhoso abraço, a você!
13 dezembro 2005
01 dezembro 2005
VIDA
Por Ira Brito
A vida que pulsa em nós
Ama, chora, rir e canta
O sopro dentro de nós
Arrepia, fere e espanta
O mistério é véu escuro
Mas é ele que encanta...
O que seria da vida
Se tudo fosse o que é
Se só houvesse o reto
Mar calmo sem maré
Se o sol nascesse cinza
Não restasse crença ou fé...
A vida que pulsa em nós
Ama, chora, rir e canta
O sopro dentro de nós
Arrepia, fere e espanta
O mistério é véu escuro
Mas é ele que encanta...
O que seria da vida
Se tudo fosse o que é
Se só houvesse o reto
Mar calmo sem maré
Se o sol nascesse cinza
Não restasse crença ou fé...
A vida precisa de encanto
Vencer a dor de morrer
Há sim como resistir
As artimanhas do poder
Ou a poesia nos salva
Ou vamos todos perecer...
22 novembro 2005
DESPEDIDA...
Por Ira Brito
Um aceno triste
É hora da despedida
O peito padece
Aquela dor ressentida
Uma lágrima quente
Escorre na cara sofrida...
Os olhos molhados
Querem se esconder
Os dentes se apertam
Em ponto de ranger
A língua se enrola
A garganta quer doer...
A gente sabe que vai
Mas voltar não é certeza
O mistério desta vida
Pode até causar tristeza
A vida é feita de adeus
Não pára, é correnteza...
Um aceno triste
É hora da despedida
O peito padece
Aquela dor ressentida
Uma lágrima quente
Escorre na cara sofrida...
Os olhos molhados
Querem se esconder
Os dentes se apertam
Em ponto de ranger
A língua se enrola
A garganta quer doer...
A gente sabe que vai
Mas voltar não é certeza
O mistério desta vida
Pode até causar tristeza
A vida é feita de adeus
Não pára, é correnteza...
06 novembro 2005
SÍNDROME
Por Ira Brito
Deve ser triste ser triste
Nascer para ser estranho
Andar sem rumo na vida
Ovelha fora do rebanho
Ser sozinho no mundo
Num desencanto medonho...
Sabe lá o que é ter sede
Sentida em frente ao mar
Ficar pertinho de alguém
E não ter chance de amar
Falar e não ser ouvido
E o prazer ter que comprar...
A angústia ressentida
Alimentada com dor
Um sentimento abafado
Na ausência do Amor
Tudo de ponta-cabeça
Vida, nojo, fobia, horror...
...
26 outubro 2005
MEDO
Ira Brito
A rua deveria ser o espaço da liberdade. Mas nem sempre é. Se observarmos como as pessoas andam na rua, vemos que todos caminham como se fugissem de algo ou de alguém. Há corre-corre. Multidão que se toca e não se sente. Todos se olham e não se vêm. Estranhos.
Não, ninguém quer dizer que andemos por ai cumprimentado todo mundo. Bom seria se assim fosse. No interior ainda é possível fazer isso. Na cidade grande o medo nos aterroriza. Temos medo de assalto, de seqüestros, da violência. Tudo pode ser suspeita. Alguma coisa nos aprisiona. E a rua, que deveria ser o espaço público da liberdade, transforma-se em ambiente refém do medo. É triste ter de passar para o outro lado da rua, temendo que o semelhante seja uma ameaça. Às vezes, pode ser o vizinho que mora no mesmo prédio, mas ninguém trocou sequer uma palavra. Por isso a estranheza.
A rua precisa ser o espaço do encontro. Aquele encontro, ainda que passageiro, no entanto, cordial. Por exemplo, um bom-dia, um aperto de mão, um aceno. Essas pequenas coisas que podem nos tornar mais humanos. Sim, mais humanos. Por que os tempos pós-modernos querem nos transformar em pequenas super-poderosas-máquinas. Somos sentimentos. Se não atentarmos para isso podemos nos transformar em seres vazios. E não fomos criados para o vazio, mas para felicidade completa.
A rua deveria ser o espaço da liberdade. Mas nem sempre é. Se observarmos como as pessoas andam na rua, vemos que todos caminham como se fugissem de algo ou de alguém. Há corre-corre. Multidão que se toca e não se sente. Todos se olham e não se vêm. Estranhos.
Não, ninguém quer dizer que andemos por ai cumprimentado todo mundo. Bom seria se assim fosse. No interior ainda é possível fazer isso. Na cidade grande o medo nos aterroriza. Temos medo de assalto, de seqüestros, da violência. Tudo pode ser suspeita. Alguma coisa nos aprisiona. E a rua, que deveria ser o espaço público da liberdade, transforma-se em ambiente refém do medo. É triste ter de passar para o outro lado da rua, temendo que o semelhante seja uma ameaça. Às vezes, pode ser o vizinho que mora no mesmo prédio, mas ninguém trocou sequer uma palavra. Por isso a estranheza.
A rua precisa ser o espaço do encontro. Aquele encontro, ainda que passageiro, no entanto, cordial. Por exemplo, um bom-dia, um aperto de mão, um aceno. Essas pequenas coisas que podem nos tornar mais humanos. Sim, mais humanos. Por que os tempos pós-modernos querem nos transformar em pequenas super-poderosas-máquinas. Somos sentimentos. Se não atentarmos para isso podemos nos transformar em seres vazios. E não fomos criados para o vazio, mas para felicidade completa.
20 outubro 2005
COLCHA DE RETALHOS
Por Ira Brito
O questionamento é
Onde mora o amor?
A resposta não é fácil
Impõe busca e rigor
A vida em fragmentos
Tecida em meio à dor...
O esforço de cada um
Por sua "cara metade"
É um caminhar difícil
Tesouro de felicidade
Gera delícia e dor
Sufoco e dificuldade...
É a dinâmica do amor
Algo tão misterioso
Juntar cada retalho
Num esforço grandioso
Está pronto pra recomeçar
Em cada ato teimoso...
O desafio nessa busca
É ir além da metade
Mergulhar o corpo todo
Sem temer profundidade
Enfrentar os desafios
Nas asas da liberdade...
A história de cada um
É feita de fragmentos
Os retalhos são pedaços
Dos corações sedentos
As cores revelam algo
D’alma e dos sentimentos...
Se alguém é aqui da terra
O outro é lá do mar
Os extremos se abraçam
E se apaixonam no olhar
Os corpos se tocam suaves
No encantamento de amar...
É certo que no amor
Há também a traição
Mas não compete julgar
De ninguém a tal ação
A carência às vezes força
A agir sem a razão...
Mesmo estando juntos
Há o medo da partida
Brigas sem cabimentos
Numa angustia ressentida
Solidão acompanhada
Alma triste e ferida...
A vida é um espetáculo
Cada um é um ator
Pode ser também palhaço
E fingir que sente dor
Ou mesmo rir sem graça
Numa situação de horror...
No aprendizado da vida
É bom juntar os pedaços
Se o "sapato aperta o pé"
É só folgar os cadarços
Mas se "bater com a cara"
Tem que curtir os inchaços...
É por isso que a crise
É como um vendaval
Ela nos joga no chão
E nos faz sair do normal
Nos força provar do fel
E cair do pedestal...
Se houver "morangos quentes"
Graúdos e saborosos
Vermelhinhos bem saudáveis
Empinados e gostosos
Pode suscitar tentação
E minutos grandiosos...
Encontrar a alma gêmea
Exige transformação
Libertar-se das amarras
Do rancor do coração
Comunicar o afeto
E oferecer o perdão...
Reconstruir a vida
Com a antítese do corvo
Cobrir-se com a colcha
Gerando um mundo novo
Para sua própria história
E para ninguém ser estorvo...
Quando se encontra a meta
A colcha é finalizada
Dorme-se sono tranqüilo
Não existe hora errada
A experiência é rainha
O horizonte é estrada...
O questionamento é
Onde mora o amor?
A resposta não é fácil
Impõe busca e rigor
A vida em fragmentos
Tecida em meio à dor...
O esforço de cada um
Por sua "cara metade"
É um caminhar difícil
Tesouro de felicidade
Gera delícia e dor
Sufoco e dificuldade...
É a dinâmica do amor
Algo tão misterioso
Juntar cada retalho
Num esforço grandioso
Está pronto pra recomeçar
Em cada ato teimoso...
O desafio nessa busca
É ir além da metade
Mergulhar o corpo todo
Sem temer profundidade
Enfrentar os desafios
Nas asas da liberdade...
A história de cada um
É feita de fragmentos
Os retalhos são pedaços
Dos corações sedentos
As cores revelam algo
D’alma e dos sentimentos...
Se alguém é aqui da terra
O outro é lá do mar
Os extremos se abraçam
E se apaixonam no olhar
Os corpos se tocam suaves
No encantamento de amar...
É certo que no amor
Há também a traição
Mas não compete julgar
De ninguém a tal ação
A carência às vezes força
A agir sem a razão...
Mesmo estando juntos
Há o medo da partida
Brigas sem cabimentos
Numa angustia ressentida
Solidão acompanhada
Alma triste e ferida...
A vida é um espetáculo
Cada um é um ator
Pode ser também palhaço
E fingir que sente dor
Ou mesmo rir sem graça
Numa situação de horror...
No aprendizado da vida
É bom juntar os pedaços
Se o "sapato aperta o pé"
É só folgar os cadarços
Mas se "bater com a cara"
Tem que curtir os inchaços...
É por isso que a crise
É como um vendaval
Ela nos joga no chão
E nos faz sair do normal
Nos força provar do fel
E cair do pedestal...
Se houver "morangos quentes"
Graúdos e saborosos
Vermelhinhos bem saudáveis
Empinados e gostosos
Pode suscitar tentação
E minutos grandiosos...
Encontrar a alma gêmea
Exige transformação
Libertar-se das amarras
Do rancor do coração
Comunicar o afeto
E oferecer o perdão...
Reconstruir a vida
Com a antítese do corvo
Cobrir-se com a colcha
Gerando um mundo novo
Para sua própria história
E para ninguém ser estorvo...
Quando se encontra a meta
A colcha é finalizada
Dorme-se sono tranqüilo
Não existe hora errada
A experiência é rainha
O horizonte é estrada...
15 outubro 2005
GRADES
Por Ira Brito
BR Cento e Dezesseis
Presídio Industrial
Do outro lado da rua
Avista-se o Hospital
Adiante a Universidade
Abaixo ver-se o Sinal.
O sinal lembra limites
Do carro a velocidade
Vermelho, amarelo, verde
Convivência na cidade
Universidade é cultura
BR é liberdade.
O presídio está aí
Em meio a este cenário
Lá dentro há muita história
Além do que é ordinário
Pois é sobre isso que venho
Fazer o meu comentário.
Fui com o Raimundinho
Dois homens entrevistar
Ofícios e mais ofícios
Tivemos de apresentar
Com tudo dentro da lei
Pudemos ali entrar.
Ouvir barulho de grades
Sentir cheiro de prisão
Ouvir zunzum de vozes
Um calor de multidão
Homens às margens da BR
Presos num caldeirão.
Não entramos nas celas
Mas aquela energia!
Os corredores tensos
Gente em correria
Pelo ar não pareceu
Ser lugar de alegria.
Não fui com medo
Mas receei ser refém
Rezei ao Anjo da Guarda
Me rege, me ilumine, amém
Comentei isso pro Rá
Ele observou também.
Mas era só papo de "Foca"
Numa nova experiência
Marlon nos recebeu
Em clima de audiência
Nos guiou pra sua sala
Com educação e decência.
Aguardamos os dois homens
Fiz um rápido plano geral
Observei bem o escritório
Num olhar especial
Vi São Jorge na parede
Em madeira artesanal.
Primeiro veio o Moisés
Apertamos sua mão
Ele, 26 anos de idade
Sete anos de prisão
O crime que cometeu
Não era nossa questão.
Comentou de sua vida
Do sonho de liberdade
Para cuidar da família
Da reinserção na sociedade
Falou dos preconceitos
E de muita dificuldade.
Fez apelo aos "livres"
"Na cadeia tem é gente"
Lá não é lugar de bicho
Que errou, está ciente
Espera pagar a pena
E sair de lá contente.
Disse não ter revolta
Mas pareceu intimidado
Olhou para o diretor
Que estava ali do lado
Moisés queria dizer mais
"Aqui não sou maltratado."
Tinha muito mais a falar
Mas pra nós estava bom
Nos despedimos dele
Eu conferi o som
Se o gravador estava
No volume e no tom.
Moisés retorna à cela
É nos trazido o Armando
Um rapaz inteligente
Que vai logo se sentando
Tem um olhar bem fixo
Parece está estudando.
Diz "de cara" sem receio
Que a cadeia não recupera
Toda espécie de criminoso
Pela liberdade espera
No entanto "lá fora"
A discriminação é severa.
Armando se comunica
Com muita facilidade
Diz rápido ter um filho
De quem sente saudade
Se expressa com as mãos
Na língua tem habilidade.
Quem foi preso uma vez
A polícia jamais esquece
Para arrumar um emprego
A ficha criminal aparece
A empresa não contrata
E a auto-estima desce.
Armando sabe que deve
Mas diz ter sido enganado
Preso pela segunda vez
Por erros lá do passado
Espera sair das grades
E jamais ser condenado.
Sabe das dificuldades
Que deverá enfrentar
Mais confia nos amigos
Para seu recomeçar
Quer reconstruir a vida
E nova semente plantar.
Armando deixa um recado:
Cadeia não é só de bandidão
Nem só lugar de monstros
Mas tem homens de coração
Entra lá donos de bingos
E proprietário de mansão.
Terminamos a conversa
Me sinto meio perdido
Fica um vácuo na sala
Mas a pauta tem sentido
Armando é levado de volta
Das grades ouço o tinido.
Não vou aqui expressar
A sensação que ficou
Nem dar lição de moral
De amor ou de rancor
Deixo minhas impressões
Daquilo que me marcou...
BR Cento e Dezesseis
Presídio Industrial
Do outro lado da rua
Avista-se o Hospital
Adiante a Universidade
Abaixo ver-se o Sinal.
O sinal lembra limites
Do carro a velocidade
Vermelho, amarelo, verde
Convivência na cidade
Universidade é cultura
BR é liberdade.
O presídio está aí
Em meio a este cenário
Lá dentro há muita história
Além do que é ordinário
Pois é sobre isso que venho
Fazer o meu comentário.
Fui com o Raimundinho
Dois homens entrevistar
Ofícios e mais ofícios
Tivemos de apresentar
Com tudo dentro da lei
Pudemos ali entrar.
Ouvir barulho de grades
Sentir cheiro de prisão
Ouvir zunzum de vozes
Um calor de multidão
Homens às margens da BR
Presos num caldeirão.
Não entramos nas celas
Mas aquela energia!
Os corredores tensos
Gente em correria
Pelo ar não pareceu
Ser lugar de alegria.
Não fui com medo
Mas receei ser refém
Rezei ao Anjo da Guarda
Me rege, me ilumine, amém
Comentei isso pro Rá
Ele observou também.
Mas era só papo de "Foca"
Numa nova experiência
Marlon nos recebeu
Em clima de audiência
Nos guiou pra sua sala
Com educação e decência.
Aguardamos os dois homens
Fiz um rápido plano geral
Observei bem o escritório
Num olhar especial
Vi São Jorge na parede
Em madeira artesanal.
Primeiro veio o Moisés
Apertamos sua mão
Ele, 26 anos de idade
Sete anos de prisão
O crime que cometeu
Não era nossa questão.
Comentou de sua vida
Do sonho de liberdade
Para cuidar da família
Da reinserção na sociedade
Falou dos preconceitos
E de muita dificuldade.
Fez apelo aos "livres"
"Na cadeia tem é gente"
Lá não é lugar de bicho
Que errou, está ciente
Espera pagar a pena
E sair de lá contente.
Disse não ter revolta
Mas pareceu intimidado
Olhou para o diretor
Que estava ali do lado
Moisés queria dizer mais
"Aqui não sou maltratado."
Tinha muito mais a falar
Mas pra nós estava bom
Nos despedimos dele
Eu conferi o som
Se o gravador estava
No volume e no tom.
Moisés retorna à cela
É nos trazido o Armando
Um rapaz inteligente
Que vai logo se sentando
Tem um olhar bem fixo
Parece está estudando.
Diz "de cara" sem receio
Que a cadeia não recupera
Toda espécie de criminoso
Pela liberdade espera
No entanto "lá fora"
A discriminação é severa.
Armando se comunica
Com muita facilidade
Diz rápido ter um filho
De quem sente saudade
Se expressa com as mãos
Na língua tem habilidade.
Quem foi preso uma vez
A polícia jamais esquece
Para arrumar um emprego
A ficha criminal aparece
A empresa não contrata
E a auto-estima desce.
Armando sabe que deve
Mas diz ter sido enganado
Preso pela segunda vez
Por erros lá do passado
Espera sair das grades
E jamais ser condenado.
Sabe das dificuldades
Que deverá enfrentar
Mais confia nos amigos
Para seu recomeçar
Quer reconstruir a vida
E nova semente plantar.
Armando deixa um recado:
Cadeia não é só de bandidão
Nem só lugar de monstros
Mas tem homens de coração
Entra lá donos de bingos
E proprietário de mansão.
Terminamos a conversa
Me sinto meio perdido
Fica um vácuo na sala
Mas a pauta tem sentido
Armando é levado de volta
Das grades ouço o tinido.
Não vou aqui expressar
A sensação que ficou
Nem dar lição de moral
De amor ou de rancor
Deixo minhas impressões
Daquilo que me marcou...
MISCELÂNIA
Por Ira Brito
Lembro daquele dia
Que passei em Cabrobó
Uma mulher banguela
Seu sorriso dava dó
Ela pedia esmolas
Com cabelos em cocó...
Passei ali de ônibus
Com destino ao Ceará
Viajando três dias
Um percurso de cansar
A origem foi São Paulo
E a meta meu lugar...
*******
Uma chamada telefônica
Me deixa aqui preocupado
Um sobrinho q amo muito
Está doente e internado
Ai meu Deus vela por ele
Que nada seja complicado...
**********
Dom Luiz Cappio em jejum
Naquela cidade esquecida
Atrai todas atenções
A favor da gente sofrida
Em nome do São Francisco
E da população oprimida...
******
Há tanto o que fazer
Não há tempo pra "coçar"
Enquantos uns têm fome
Outros estão a esbanjar
Se uns arrotam arrogância
Outros nem podem falar...
Pois deixa eu ficar assim
No meu cantim a pensar
Em quem anda meio triste
E sem rumo pra andar
Que perdeu a esperança
E não tem a quem amar...
Cada macaco no seu galho
O "sapato" é que me aperta
Uma dorzinha nojenta
Me canta música secreta
A certeza que eu tenho
Não é uma certeza certa...
Lembro daquele dia
Que passei em Cabrobó
Uma mulher banguela
Seu sorriso dava dó
Ela pedia esmolas
Com cabelos em cocó...
Passei ali de ônibus
Com destino ao Ceará
Viajando três dias
Um percurso de cansar
A origem foi São Paulo
E a meta meu lugar...
*******
Uma chamada telefônica
Me deixa aqui preocupado
Um sobrinho q amo muito
Está doente e internado
Ai meu Deus vela por ele
Que nada seja complicado...
**********
Dom Luiz Cappio em jejum
Naquela cidade esquecida
Atrai todas atenções
A favor da gente sofrida
Em nome do São Francisco
E da população oprimida...
******
Há tanto o que fazer
Não há tempo pra "coçar"
Enquantos uns têm fome
Outros estão a esbanjar
Se uns arrotam arrogância
Outros nem podem falar...
Pois deixa eu ficar assim
No meu cantim a pensar
Em quem anda meio triste
E sem rumo pra andar
Que perdeu a esperança
E não tem a quem amar...
Cada macaco no seu galho
O "sapato" é que me aperta
Uma dorzinha nojenta
Me canta música secreta
A certeza que eu tenho
Não é uma certeza certa...
10 outubro 2005
ALÉM DO CLIMA
Por Ira Brito
Não é fácil compreender as falcatruas do poder. Os que comandam a máquina pública se acham no direito de fazer o que bem entendem com o dinheiro do povo. Desviam grana para suas contas no exterior e gastam absurdos em campanhas eleitorais. Mas não movem uma palha para tirar da miséria tantos sertanejos sofredores, castigados pela seca e pela a omissão de políticos que prometem o paraíso e depois oferecem o inferno.
A indústria da seca é um dos maiores fardos impostos ao povo sofrido do sertão nordestino. Ainda hoje se atribui a miséria do sertanejo às condições climáticas. Muito além do clima está a crueldade da politicagem nojenta que em pleno século do desenvolvimento tecnológico condena populações à condições de vida semelhantes ao tempo medieval.
Felizmente o povo não é mais tão bobo. Embora alguns ainda temam os chicotes dos coronéis modernos, outros, aos poucos, libertam-se da ignorância e clamam por justiça. Quem sabe o cenário desolador pelo qual a sociedade brasileira passa no momento seja lição de conscientização. E dessa forma os cidadãos aprendam a abominar os políticos carniceiros, corruptos e interesseiros que estraçalham o patrimônio do Estado em nome de seus prazeres e ganâncias.
Não é fácil compreender as falcatruas do poder. Os que comandam a máquina pública se acham no direito de fazer o que bem entendem com o dinheiro do povo. Desviam grana para suas contas no exterior e gastam absurdos em campanhas eleitorais. Mas não movem uma palha para tirar da miséria tantos sertanejos sofredores, castigados pela seca e pela a omissão de políticos que prometem o paraíso e depois oferecem o inferno.
A indústria da seca é um dos maiores fardos impostos ao povo sofrido do sertão nordestino. Ainda hoje se atribui a miséria do sertanejo às condições climáticas. Muito além do clima está a crueldade da politicagem nojenta que em pleno século do desenvolvimento tecnológico condena populações à condições de vida semelhantes ao tempo medieval.
Felizmente o povo não é mais tão bobo. Embora alguns ainda temam os chicotes dos coronéis modernos, outros, aos poucos, libertam-se da ignorância e clamam por justiça. Quem sabe o cenário desolador pelo qual a sociedade brasileira passa no momento seja lição de conscientização. E dessa forma os cidadãos aprendam a abominar os políticos carniceiros, corruptos e interesseiros que estraçalham o patrimônio do Estado em nome de seus prazeres e ganâncias.
04 outubro 2005
CONTRASTES
Por Ira Brito
Novo dia. Na rua pessoas indo e vindo. A cidade não pára. Não dorme, não descansa, não cala. Homens e mulheres seguem seu caminho, sem saber ao certo aonde chegarão. Uns, têm passos firmes e olhar esperançoso. Outros, tateiam e olham baixo. Há medo, há pressa, há caos. A cidade bem que poderia ser mais humana. Bem que poderia ser mais igualitária. De um lado riqueza acumulada. De outro a miséria imperando: barracos, gente e rato. Lixo, esgoto, barata. Cachorro pitt bull, cão vira-lata. Prédios luxuosos, arranha-céus com suas fachadas asseadas, avenidas impecáveis. Vitrines prontas para hipnotizar, encantar, incitar o desejo. Por que tem que ser assim? Lá na outra zona, muita lama. Ninguém planejou as ruas, não houve projeto, tudo foi se formando conforme a necessidade de quem ali foi chegando. Esgoto a céu aberto, amontoado de seres humanos, teimando em viver, lutam dia e noite. Esse povo ri, chora, canta, dança. Tem fé, ainda sonha. Essa gente espera que um dia sua rua tenha nome oficializado, seja asfaltada, tenha esgoto canalizado. A cidade do lado de lá, e a do lado de cá, são dois extremos que não se tocam. São partes bem distintas. Nossa cidade tem muro, cortina, véu da vergonha. Invisíveis, mas bem reais, não precisa muito esforço para perceber. Há vida lá e cá. Há problemas em ambos os lados. Mas há privilégio lá. Há grito de dor do lado de cá. Há crianças querendo infância, espaço para brincar, sorrir, ser gente.
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