belos e tristes
eram seu olhos
não tinham nada
de ressaca
eram precoces
um texto vivo
de um corpo jovem
vendido e usado
mucho quando devia florir
mocidade amputada
pele cheirando a dor
humano objeto
olhinhos molhados
qual vaga-lume triste
numa noite escura
sem excitação
apenas dois fachos
de uma luz verde
sem esperança
27 junho 2008
19 junho 2008
berro
a gente cansa
dos moralismos
das repressões
a gente cansa
do tudo certo
das receitas de bolo
cansa de ser tolo
de obedecer
de crescer para o futuro
e fechar os olhos para o presente
a gente cansa de fingir-se contente
cansa de calcular os detalhes antes de agir
cansa de mentir
de ser reflexo
dos complexos
a gente cansa de alguns
de todos, cansa dos jejuns
forçados, criados
surpéfluos
dos moralismos
das repressões
a gente cansa
do tudo certo
das receitas de bolo
cansa de ser tolo
de obedecer
de crescer para o futuro
e fechar os olhos para o presente
a gente cansa de fingir-se contente
cansa de calcular os detalhes antes de agir
cansa de mentir
de ser reflexo
dos complexos
a gente cansa de alguns
de todos, cansa dos jejuns
forçados, criados
surpéfluos
13 junho 2008
maçante
dia nulo
tudo chulo
idéia vaga
feito praga
ou carrapato
pegajoso, chato
hoje, um hiato
fenda interna
no escuro e sem laterna
tudo chulo
idéia vaga
feito praga
ou carrapato
pegajoso, chato
hoje, um hiato
fenda interna
no escuro e sem laterna
12 junho 2008
lamento
o dia caía
o crepúsculo doía
sua cor
era dor
de ser só
de sentir
e se ferir
de gostar
e não expressar
de amar torto
de estar morto
de não ser
o crepúsculo doía
sua cor
era dor
de ser só
de sentir
e se ferir
de gostar
e não expressar
de amar torto
de estar morto
de não ser
11 junho 2008
noturno
acorda em meio a noite
ofegante
é um verso
mendicante
nasce na escuridão
de repente
são estrofes
rimadas ou não
são vivas
ofegante
é um verso
mendicante
nasce na escuridão
de repente
são estrofes
rimadas ou não
são vivas
06 junho 2008
escuro
a face colada ao travesseiro
pele quente
cabeça a mil
os olhos fechados
procuram o sentido
nas travessias escuras
do castelo interior
há temor
pele quente
cabeça a mil
os olhos fechados
procuram o sentido
nas travessias escuras
do castelo interior
há temor
26 maio 2008
delírio
sentiu a pequenez
no ninho, o endez
olhou pro céu, imenso
deitou na grama, tenso
viu nuvens finas, leves
pensamentos breves
fechou os olhos pra ver mais
alma só, pede paz
virou fios no ar
gota de lágrima
pra lavar a dor
de ser
no ninho, o endez
olhou pro céu, imenso
deitou na grama, tenso
viu nuvens finas, leves
pensamentos breves
fechou os olhos pra ver mais
alma só, pede paz
virou fios no ar
gota de lágrima
pra lavar a dor
de ser
24 maio 2008
imenso
a taça, a praça
não, nada em comum
a sala, a mala
sim, era adeus
nó na garganta
uma vala
a porta se abriu
o ventou entrou
você sumiu
acabou
não, nada em comum
a sala, a mala
sim, era adeus
nó na garganta
uma vala
a porta se abriu
o ventou entrou
você sumiu
acabou
22 maio 2008
canudos
vítimas do embelezamento
da limpeza social
são expulsos pela polícia
empurrados para bem longe
está em jogo o capital
as lágrimas das mães
mistruram-se à neblina fria
cortante
nazistas em ação
holocaustos em questão
cotidianamente
na alemanha, não
aqui
contra judeu, não
contra pobres
a constituição é só papel
não, é também digital
direito humano é para poucos
pobre nunca deu ibope
dá voto
da limpeza social
são expulsos pela polícia
empurrados para bem longe
está em jogo o capital
as lágrimas das mães
mistruram-se à neblina fria
cortante
nazistas em ação
holocaustos em questão
cotidianamente
na alemanha, não
aqui
contra judeu, não
contra pobres
a constituição é só papel
não, é também digital
direito humano é para poucos
pobre nunca deu ibope
dá voto
21 maio 2008
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