chicotes invisíveis
sangue coagulado
bofetada no abdome
grito
na dor da mãe
pelo filho que partiu
antes do crepúsculo
no choro das crianças
dos morros e do asfalto
sem brinquedo
nem afago
na angústia humana
que tem muitos nomes
mas é uma dor só...
07 abril 2009
06 abril 2009
horto
o suor era sangue
angustia e dor
o amargor do cálice
consequência do amor
a morte viria
o corpo tremia
quanta agonia
na noite escura
a captura
e um beijo falso
do traidor...
angustia e dor
o amargor do cálice
consequência do amor
a morte viria
o corpo tremia
quanta agonia
na noite escura
a captura
e um beijo falso
do traidor...
04 abril 2009
desvario
e se secar a saliva
não houve mata nativa
se o oxigênio acabar
e a luz se apagar
a escuridão descer
todo mundo se perder
se a garganta der um nó
o nariz encher de pó
se houver ranger de dentes
os corpos assim doentes
e se toda a casa cair
o mundo inteiro sumir
seja lá o que for
ódio ou amor
haja lá o que houver
ação boa ou de má-fé
só uns punhados de terra
nossa luta aqui encerra...
não houve mata nativa
se o oxigênio acabar
e a luz se apagar
a escuridão descer
todo mundo se perder
se a garganta der um nó
o nariz encher de pó
se houver ranger de dentes
os corpos assim doentes
e se toda a casa cair
o mundo inteiro sumir
seja lá o que for
ódio ou amor
haja lá o que houver
ação boa ou de má-fé
só uns punhados de terra
nossa luta aqui encerra...
29 março 2009
quimera
era uma vez uma aldeia
onde reinava a poesia
todos lá vivam em paz
Todos lá tinham alegria
todos lá eram poetas
fosse noite, fosse dia...
as brigas que lá haviam
eram somente as pelejas
dos poetas repentistas
nas cantorias sertanejas
as disputa verbais
duravam noites inteiras
toda gente bem feliz
ria com as brincadeiras
dos poetas repentistas
e suas rimas certeiras
naquele aldeia
a lei era a voz ao vivo
nos lábios de todos
havia sempre sorriso
e a riqueza maior
era dizer versos de improviso...
onde reinava a poesia
todos lá vivam em paz
Todos lá tinham alegria
todos lá eram poetas
fosse noite, fosse dia...
as brigas que lá haviam
eram somente as pelejas
dos poetas repentistas
nas cantorias sertanejas
as disputa verbais
duravam noites inteiras
toda gente bem feliz
ria com as brincadeiras
dos poetas repentistas
e suas rimas certeiras
naquele aldeia
a lei era a voz ao vivo
nos lábios de todos
havia sempre sorriso
e a riqueza maior
era dizer versos de improviso...
28 março 2009
ensejo
naquele tempo inocente
quando não carecia de esperteza
tinha um mundo a minha frente
e uma grande luz acesa
hoje cheio de dúvidas
preocupado com a razão
todo dia em pesadas lidas
sinto vazio o coração
se o homem foi condenado
à faculdade do pensar
tornou-se também abobado
e por aí vive a vagar...
quando não carecia de esperteza
tinha um mundo a minha frente
e uma grande luz acesa
hoje cheio de dúvidas
preocupado com a razão
todo dia em pesadas lidas
sinto vazio o coração
se o homem foi condenado
à faculdade do pensar
tornou-se também abobado
e por aí vive a vagar...
27 março 2009
nas horas
nas horas em que o silêncio
não quer ser mais silêncio
nas horas em que a prudência
quer mais é ser louca
nas horas em que o corpo
pede paciência
nas horas é que a voz
se faz de rouca
nas horas em que a noite
é toda escura
nas horas em que os dedos
tateiam afagos
nas horas em que os olhos
se fecham pelo desejo
nas horas em que o peito
é casca de cigarra
nas horas em que a garganta
é só pigarro
nas horas em que o abraço
não devia acabar
nas horas em que a pessoa
sai da foto
nas horas em que a foto
faz chorar
nas horas em que a lágrima
quer ser rio
nas horas em que lembrar
causa arrepio
nas horas em que viver
é pura alegria
nas horas em que o sorriso
salva o dia...
não quer ser mais silêncio
nas horas em que a prudência
quer mais é ser louca
nas horas em que o corpo
pede paciência
nas horas é que a voz
se faz de rouca
nas horas em que a noite
é toda escura
nas horas em que os dedos
tateiam afagos
nas horas em que os olhos
se fecham pelo desejo
nas horas em que o peito
é casca de cigarra
nas horas em que a garganta
é só pigarro
nas horas em que o abraço
não devia acabar
nas horas em que a pessoa
sai da foto
nas horas em que a foto
faz chorar
nas horas em que a lágrima
quer ser rio
nas horas em que lembrar
causa arrepio
nas horas em que viver
é pura alegria
nas horas em que o sorriso
salva o dia...
26 março 2009
convexo
anador arranca esta dor
da cabeça tensa à beça
abre-te brecha
deixa a luz inundar
abunda de inspiração
some com a distração
paz de outono
quero ser teu dono
ao pisar tuas folhas
minhas escolhas
são brisas suaves
me avisa a hora
vem sem demora
agora...
da cabeça tensa à beça
abre-te brecha
deixa a luz inundar
abunda de inspiração
some com a distração
paz de outono
quero ser teu dono
ao pisar tuas folhas
minhas escolhas
são brisas suaves
me avisa a hora
vem sem demora
agora...
25 março 2009
anunciação
as folhas amadurecem
esfraquecem e caem
as árvores se despem
nuas, alamedas
ruas
ventre da mãe terra
em gestação
e silêncio
é tempo de engravidar
sonhar, sentir o vento
a brisa leve
vida breve
hoje é dia pra engravidar
daqui a nove meses
é natal...
esfraquecem e caem
as árvores se despem
nuas, alamedas
ruas
ventre da mãe terra
em gestação
e silêncio
é tempo de engravidar
sonhar, sentir o vento
a brisa leve
vida breve
hoje é dia pra engravidar
daqui a nove meses
é natal...
24 março 2009
pingos
(...)
em vários momento da história
houve esforço pra justificar
que uns nasceram pra sofrer
outros para dominar
alguns até com o direito
de a muitos escraviza
olhemos nossa américa
latina, sofrida e pobre,
"desbravada" na maldade
pelo ouro, prata e cobre.
a ambição do europeu
não tinha nada de nobre
(...)
nosso chão ficou banhado
com o sangue inocente
de índios negros escravos
e de nossa pobre gente
sufocada pela força
do veneno da "serpente"...
(do meu livro: cidadania em ritmo de cordel. Paulus, 2007)
em vários momento da história
houve esforço pra justificar
que uns nasceram pra sofrer
outros para dominar
alguns até com o direito
de a muitos escraviza
olhemos nossa américa
latina, sofrida e pobre,
"desbravada" na maldade
pelo ouro, prata e cobre.
a ambição do europeu
não tinha nada de nobre
(...)
nosso chão ficou banhado
com o sangue inocente
de índios negros escravos
e de nossa pobre gente
sufocada pela força
do veneno da "serpente"...
(do meu livro: cidadania em ritmo de cordel. Paulus, 2007)
23 março 2009
geni
"joga pedra na geni"
ouço o chico cantando
"joga bosta na geni"
e assim fico pensando
nas "genis" por aí
feitas "pra apanhar"
"ela é boa de cuspir"
temos sempre pedras
nas mãos
na língua
coração
maldita não é a geni
que "dá pra qualquer um"
maldita é a nossa hipocrisia
falsa moral comum
geni é mulher
geni é humana
geni é homem
geni é sagrada
e profana
geni somos...
ouço o chico cantando
"joga bosta na geni"
e assim fico pensando
nas "genis" por aí
feitas "pra apanhar"
"ela é boa de cuspir"
temos sempre pedras
nas mãos
na língua
coração
maldita não é a geni
que "dá pra qualquer um"
maldita é a nossa hipocrisia
falsa moral comum
geni é mulher
geni é humana
geni é homem
geni é sagrada
e profana
geni somos...
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