sim, são meus olhos
os mesmos de menino abandonado
lembra quando você me olhou com dó?
eu não queria dó
pois seu olhar de dó
me deu um nó na garganta
e nunca esqueci
sequer pude pigarrear naquela hora
nunca engoli aquele olhar
ele ficou preso
tal o pedaço da maçã de adão
sim, são meus olhos...
mas não venha de novo
com seu olhar de dó...
13 fevereiro 2011
12 fevereiro 2011
centelha
foi quando o jornal cortou a cerca
e o fedro ouviu o rebuliço da carroça
bem na hora em que meu peito era roça
qual sertão, esperando pela chuva
foi quando minhas mãos pediam luvas
e os calos eram bolhas doloridas
foi culpa da cigarra enrouquecida:
fez as horas ficarem feito cinza
e eu com humor meio ranzinza
mas o sábado me olhou azul-celeste
e vi que tudo não passava de um teste
então minha garganta pigarrou
dentro em mim algo feliz me acenou
corri parado para lugar nenhum
aí tive a certeza quase certa:
tinha a ver com a quebra do jejum...
e o fedro ouviu o rebuliço da carroça
bem na hora em que meu peito era roça
qual sertão, esperando pela chuva
foi quando minhas mãos pediam luvas
e os calos eram bolhas doloridas
foi culpa da cigarra enrouquecida:
fez as horas ficarem feito cinza
e eu com humor meio ranzinza
mas o sábado me olhou azul-celeste
e vi que tudo não passava de um teste
então minha garganta pigarrou
dentro em mim algo feliz me acenou
corri parado para lugar nenhum
aí tive a certeza quase certa:
tinha a ver com a quebra do jejum...
08 fevereiro 2011
contemplação
quero dos pássaros os cantos
da chuva o cheiro na terra
da vida almejo encantos
sigo de cabeça erguida
e com a mente contida
abro os olhos pro invisível
30 janeiro 2011
irreversível
28 janeiro 2011
sozinho
eu olho pela janela
buscando sinal da lua
no alto, nenhum estrela
uma discreta nuvem flutua
minha vontade de rua
diz que a noite está tão bela
mas hoje sou sentinela
preso a saudade sua
daqui só vejo arranha-céu
são paulo, este mundaréu
deixa minha mente nua
aquele helicóptero no alto
aquele menina no asfalto
minha imaginação recua...
buscando sinal da lua
no alto, nenhum estrela
uma discreta nuvem flutua
minha vontade de rua
diz que a noite está tão bela
mas hoje sou sentinela
preso a saudade sua
daqui só vejo arranha-céu
são paulo, este mundaréu
deixa minha mente nua
aquele helicóptero no alto
aquele menina no asfalto
minha imaginação recua...
27 janeiro 2011
desabafo
não me sinto culpado
foi coisa da musa
seu verso recitado
me usa e abusa
mas me deixa quieto
sou soldado raso
eu peco, me arraso
também nasci torto
por vezes, sou esterco
preso num cerco
me sentindo morto
mas me deixa quieto
sou mesmo discreto
sei engolir choro
nasci nu
não quero fama
nem ouro
nasci cabrito
nunca serei touro...
nem ouro
nasci cabrito
nunca serei touro...
26 janeiro 2011
desejo
quero um banho de ternura
nas águas de sua banheira
deixa que eu abro a torneira
com meus dedos em secura
hoje sou sua criatura
menino sem mamadeira
dengoso e em choradeira
vem, minha mão segura
entremos nas águas rasas
elas nos darão asas
para ao infinito chegar
nosso afeto em brasa
feito homem bomba em gaza
no prazer explodirá...
nas águas de sua banheira
deixa que eu abro a torneira
com meus dedos em secura
hoje sou sua criatura
menino sem mamadeira
dengoso e em choradeira
vem, minha mão segura
entremos nas águas rasas
elas nos darão asas
para ao infinito chegar
nosso afeto em brasa
feito homem bomba em gaza
no prazer explodirá...
25 janeiro 2011
corpos
eu sou o meu corpo total
dedinho, pé, unha, coração
sou braço, pescoço, pulmão
sou distinto, estranho e igual
meu corpo é tudo o que tenho
o que faço, o que sinto e desejo
no toque, no gosto, no beijo
sou espírito, sou pó, sou carnal
sou pleno somente em você
quando seu hálito penetra em mim
experimento a eternidade
meu corpo no seu é prazer
é o momento que não tem fim
a isso eu chamo: felicidade...
dedinho, pé, unha, coração
sou braço, pescoço, pulmão
sou distinto, estranho e igual
meu corpo é tudo o que tenho
o que faço, o que sinto e desejo
no toque, no gosto, no beijo
sou espírito, sou pó, sou carnal
sou pleno somente em você
quando seu hálito penetra em mim
experimento a eternidade
meu corpo no seu é prazer
é o momento que não tem fim
a isso eu chamo: felicidade...
24 janeiro 2011
o amor
sim, é o amor que ressuscita
faz os olhos enxergar além da luz
é o amor que me embala e me conduz
é ele mesmo que preenche e excita
é só o amor que faz viver
feito um beijo descido do céu
é ele também o amargor do fel
quando a força do inferno grita
sem o amor a vida é boba e oca
o coração é de pedra ou lama
e a gente fica sem voz, sem nome
por isso, vem amor e me toca
transborda meu rio, me ama
mata minha sede, minha fome...
faz os olhos enxergar além da luz
é o amor que me embala e me conduz
é ele mesmo que preenche e excita
é só o amor que faz viver
feito um beijo descido do céu
é ele também o amargor do fel
quando a força do inferno grita
sem o amor a vida é boba e oca
o coração é de pedra ou lama
e a gente fica sem voz, sem nome
por isso, vem amor e me toca
transborda meu rio, me ama
mata minha sede, minha fome...
21 janeiro 2011
em mim
eu nunca sei quem sou
e na verdade sempre sei
que sou assim mesmo
cada vez que volto
do lugar que me gerou
cada vez que saio dos abraços
dos que amo
aí o vazio me invade
aí me dou conta
que sou o sempre menino
que vai e vem
e chora quando sai de casa
é a saudade de casa
casa minha
família...
e na verdade sempre sei
que sou assim mesmo
cada vez que volto
do lugar que me gerou
cada vez que saio dos abraços
dos que amo
aí o vazio me invade
aí me dou conta
que sou o sempre menino
que vai e vem
e chora quando sai de casa
é a saudade de casa
casa minha
família...
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