29 fevereiro 2012

vésperas

o sol em seu ocaso
fecha seu prazo
vejo-o pelo vidro da capela
bem ao lado do sacrário
na prece vespertina, breviário
discreta, a vela se gasta
minha graça te basta...

28 fevereiro 2012

escrever


escrever é um ato de liberdade
por vezes, de loucura
exige motivação
mergulhar no poço ou na secura
existencial
requer imaginação
não basta o real
e mais que tudo:
paciência, paciência, paciência... 

ocaso

o sol em seu ocaso
fecha seu prazo
vejo-o pelo vidro da capela
bem ao lado do sacrário
na prece vespertina, breviário
discreta, a vela se gasta
minha graça te basta...

23 fevereiro 2012

carta

há uma palavra escrita
em nosso coração
não com caneta, nem com tinta
mistério profundo, além da razão...

22 fevereiro 2012

prece

as nuvens se desfiavam
e venciam o sol nas alturas
no coração de carne e desejo 
sentimentos de criatura
desprotegido de agasalho
disse prece de ternura

desceu à planície ciente:
há segredos além da superfície 
seguiu como o rio que deflui:
se-re-na-men-te...

21 fevereiro 2012

carnaval

o suave silêncio
paradoxo carnaval
no lume do mármore
velas e castiçal
a brisa e as cigarras
acertam o dial
nada mal, nada mal..

20 fevereiro 2012

plenitude

quando quisera o ombro
tivera o assombro
tombando encontrara a solidão
do encontro de duas solidões nascera a amizade 
então a vida achou graça 
e o verbo não mais se confundiu...

14 fevereiro 2012

discrepância


da janela vejo a lagoa
bela e sem água boa
lume frio, afinado
progresso desenfreado

transporto-me às margens
os pássaros cantam mensagens
e o silêncio sepulcral
das mansões do capital
camufla o odor sem nome
fecha os olhos pra fome
do homem que está na beira
sem eira lançando o anzol
 usufrui o mesmo sol

sobre as águas uma garça
esvoaça alvamente
logo ao lado um urubu
em seu vôo rasante
varejando algo podre...

23 janeiro 2012

artigo A

a nódoa invisível
somente eu a toco
a sinto
não imprimível
ela fica lá onde somente eu adentro
a lágrima presa e densa
a vela sem mesa
a folha de papel acesa
e a tela branca faminta...


28 novembro 2011

barco

se aqui choro ou rio
se grito ou silencio
ou me faço tagarela
se contemplo da janela
o infinito fora de mim
é que digo não e sim
misturo tudo sem pureza
me deságuo na lâmina fria
espelho meu em correnteza
não sou científico, sou letra viva
texto anônimo, sem paga autoral
sou a penitência a espera da absolvição
sou verso livre, noutra preso nalguma rima
rica ou pobre
tateio na extinção
nos olhos, paixão
sentimento no coração
se naufragar a barca da salvação
há de me resgatar...