o corpo franzino
quase nu
olhar aguado
olhinhos turvos
entre a tênue curva
onde a vida é real
vau de dois riachinhos
e as carnes cansadas
da lida sem registro
subterrâneo véu da amargura
noite escura em pleno dia
ao redor
surdez do mundo
ninguém de si tenha dó
é um favor
sabe da dor
corpo e sangue...
07 junho 2012
desmundo
havia dia que ela morria
ninguém a percebia
mordendo vaga o dedo mindinho
o mundo suspendia
com o olhar nadando no vácuo
o nada absorvia
o nada...
ninguém a percebia
mordendo vaga o dedo mindinho
o mundo suspendia
com o olhar nadando no vácuo
o nada absorvia
o nada...
05 junho 2012
imaginação
se o céu azul
que aprecio da janela
não é azul
e nem é céu
não me importa
importa-me imaginar
inundar-me deste azul profundo
sentir-me parte do mundo
se o que vejo e sinto não é real
eu posso torná-lo palpável
isso é dádiva...
que aprecio da janela
não é azul
e nem é céu
não me importa
importa-me imaginar
inundar-me deste azul profundo
sentir-me parte do mundo
se o que vejo e sinto não é real
eu posso torná-lo palpável
isso é dádiva...
02 junho 2012
aprender
aprender é devagar
juntar letras e dizer "ma-ma", "pa-pa"
exige esforço e sofisticação mental
quando conseguimos facilmente dizer mamãe, papai
foi preciso antes tempo e exercício
aprender é devagar
devagar...
juntar letras e dizer "ma-ma", "pa-pa"
exige esforço e sofisticação mental
quando conseguimos facilmente dizer mamãe, papai
foi preciso antes tempo e exercício
aprender é devagar
devagar...
28 maio 2012
espírito
o alento
o vento, fogo ou brisa
musa, profetisa ou profeta louco
sussurra aos ouvidos
acalenta as gargantas roucas
espírito indomável
poesia do mundo
dá-nos beleza
na alegria ou na tristeza...
o vento, fogo ou brisa
musa, profetisa ou profeta louco
sussurra aos ouvidos
acalenta as gargantas roucas
espírito indomável
poesia do mundo
dá-nos beleza
na alegria ou na tristeza...
24 maio 2012
sede
sede de palavra
aquela que diz “haja luz”
sede de palavra
aquele ato linguístico
que existe antes de qualquer tempo...
aquela que diz “haja luz”
sede de palavra
aquele ato linguístico
que existe antes de qualquer tempo...
19 maio 2012
o silêncio e a palavra
Certa vez o Silêncio andava muito triste, à beira da angústia.
E a Palavra estava estressada, quase explodindo.
Cada qual no seu mundo.
Num dia comum, mas daqueles em que o sol nasce mais intenso e o céu, de tão azul, fica mais próximo da gente, aconteceu o milagre: o encontro de duas solidões. O silêncio e a palavra pararam frente a frente. Seus olhos brilhavam como brilham os olhos dos apaixonados. Desse encontro nasceu a comunicação, e dela todos os sentimentos bons que geram atitudes humanas e transformadoras: a amizade, o amor, a solidariedade, o perdão, a ternura, a compaixão, o respeito, a paz, a gentileza...
E a Palavra estava estressada, quase explodindo.
Cada qual no seu mundo.
Num dia comum, mas daqueles em que o sol nasce mais intenso e o céu, de tão azul, fica mais próximo da gente, aconteceu o milagre: o encontro de duas solidões. O silêncio e a palavra pararam frente a frente. Seus olhos brilhavam como brilham os olhos dos apaixonados. Desse encontro nasceu a comunicação, e dela todos os sentimentos bons que geram atitudes humanas e transformadoras: a amizade, o amor, a solidariedade, o perdão, a ternura, a compaixão, o respeito, a paz, a gentileza...
18 maio 2012
azul
a musica triste arrepia
feito a água fria
em dia outonal
os poros se abrem
e o peito dormente
quer abrir as cortinas
da alma
limpar a lama
e correr sem rumo
o céu está todo azul...
17 maio 2012
ternura
a ternura é brisa suave
necessária sempre
especialmente quando a alma
pede colo e calma
ternura
pílula da cura
de toda criatura solitária...
16 maio 2012
alma
com a anatomia da alma exposta
feito mercadoria de aposta
corpo franzino
mundo cassino
o semáforo avermelha
e uma pequena centelha
relampeja
há um apelo no ar
que o ser seja
a vida escorre
e a alma exposta
se liquefaz...
feito mercadoria de aposta
corpo franzino
mundo cassino
o semáforo avermelha
e uma pequena centelha
relampeja
há um apelo no ar
que o ser seja
a vida escorre
e a alma exposta
se liquefaz...
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