se o discurso sai da garganta
sem raízes no coração
nem uma gota de emoção
a gente não se espanta
até fazemos olhar de santa
mas com ouvidos serrados
e a mente noutros estados
seja em almoço ou em janta
a palavra é coisa séria
tem de vir pelas artérias
lá do nosso poço fundo
deve ser bem preparada
do orgulho esvaziada
dizer do que é profundo...
05 outubro 2012
01 outubro 2012
estrela
o céu estava tão estrelado
parecia tocar a terra
não havia planície nem serra
os olhos admirados, calados
brilhavam em direção ao infinito
infinito no chão, no solo do coração
tudo era bonito
bem no momento em que uma lágrima escorria
enquanto uma estrela solitária caía...
parecia tocar a terra
não havia planície nem serra
os olhos admirados, calados
brilhavam em direção ao infinito
infinito no chão, no solo do coração
tudo era bonito
bem no momento em que uma lágrima escorria
enquanto uma estrela solitária caía...
19 setembro 2012
sorriso coberto
não tinha dentes
nenhum sequer
escondia a graça com a mão
envergonhada cobria a alegria
a gengiva lamentava o dessabor
a vida real mesmo era nos sonhos
quando dormia e ria um sorriso cheio de dentes
aí ela existia...
nenhum sequer
escondia a graça com a mão
envergonhada cobria a alegria
a gengiva lamentava o dessabor
a vida real mesmo era nos sonhos
quando dormia e ria um sorriso cheio de dentes
aí ela existia...
28 agosto 2012
felicidade
felicidade tem os olhos da cor do louva-a-deus
as rugas expostas são quais compêndios
vigílias e reverências ao Sublime, ao Profundo
na madrugada calada e fria, quando ainda é escuro
as vozes como que em luta entre o Bem e o mal
ecoam entre as paredes e saem pelas brechas
para receber o Sol
é a hora em que o coração da gente se aquece
e a lágrima fina e quente não finge nada...
as rugas expostas são quais compêndios
vigílias e reverências ao Sublime, ao Profundo
na madrugada calada e fria, quando ainda é escuro
as vozes como que em luta entre o Bem e o mal
ecoam entre as paredes e saem pelas brechas
para receber o Sol
é a hora em que o coração da gente se aquece
e a lágrima fina e quente não finge nada...
27 agosto 2012
poderoso
O carroceiro veio em seu cavalo faceiro
'bom dia, só alegria?'
'cavalão, né?'
'é, se chama titan'
'poderoso, em'
'poderoso é Deus', disse o dono do titan...
'bom dia, só alegria?'
'cavalão, né?'
'é, se chama titan'
'poderoso, em'
'poderoso é Deus', disse o dono do titan...
15 agosto 2012
dentro
nasceu para correr, sabia
corria, corria, corria
atrás de quem já tinha companhia
olhava longe, nem vulto via
voltava meio arredio
na face o vento frio
e lá no poço, um vazio..
corria, corria, corria
atrás de quem já tinha companhia
olhava longe, nem vulto via
voltava meio arredio
na face o vento frio
e lá no poço, um vazio..
14 agosto 2012
sinal
a música não era alegre nem triste
talvez sem medida ou no intermédio
no ar havia um dedo em riste
dentro
uma alma como nuvem fina desfiava
o peito pulsante pedia remédio
é que o sol desceu sem se mostrar
no alto um avião dava sinal do fugitivo
tudo é a ponta de um mistério
sim, estava escrito, lá estava o motivo...
talvez sem medida ou no intermédio
no ar havia um dedo em riste
dentro
uma alma como nuvem fina desfiava
o peito pulsante pedia remédio
é que o sol desceu sem se mostrar
no alto um avião dava sinal do fugitivo
tudo é a ponta de um mistério
sim, estava escrito, lá estava o motivo...
07 agosto 2012
presença
inquietude vigilante
quando a face almeja o travesseiro
e lá do profundo da alma um poema nascendo
possessão, entidade poética
construo uma aldeia imaginária
uma voz vinda de lugar nenhum ressoa
então me dou conta: é em vão
como invocar tua presença
se estás em toda parte
e preenches todos os espaços de minha existência?
quando a face almeja o travesseiro
e lá do profundo da alma um poema nascendo
possessão, entidade poética
construo uma aldeia imaginária
uma voz vinda de lugar nenhum ressoa
então me dou conta: é em vão
como invocar tua presença
se estás em toda parte
e preenches todos os espaços de minha existência?
06 agosto 2012
livre
lamentava do abandono
havia tempos sentia-se cão sem dono
um dia resolveu ser ela
sempre ficava olhando da janela
naquele dia abriu a porta e saiu
nem levou malas, partiu
encontrou o pão que mata toda a fome
não sentiu mais sede, nem vergonha do próprio nome...
havia tempos sentia-se cão sem dono
um dia resolveu ser ela
sempre ficava olhando da janela
naquele dia abriu a porta e saiu
nem levou malas, partiu
encontrou o pão que mata toda a fome
não sentiu mais sede, nem vergonha do próprio nome...
05 agosto 2012
mira
o sol se despede
na hora em que a gente colo pede
no peito o domingo pulsa
e a saudade repulsa
o vácuo sem nome
o soco no abdome
então se respira, respira, respira
e do fundo do ser o sentido mira
uma prece se eleva
a noite a luz leva...
na hora em que a gente colo pede
no peito o domingo pulsa
e a saudade repulsa
o vácuo sem nome
o soco no abdome
então se respira, respira, respira
e do fundo do ser o sentido mira
uma prece se eleva
a noite a luz leva...
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