26 janeiro 2007
29 dezembro 2006
NUVEM
por Ira Brito
- Tio, o que é aquilo preto no céu?
- É uma nuvem, fii.
- E por que ela tá preta?
- É porque tá cheia d'água.
- É Deus quem tranca a água lá?
- É, sim... é Deus...
- Se eu fosse Deus eu não trancava a água lá em cima. Eu fazia era soltar água todo dia da nuvem...
16 dezembro 2006
CAPUCHO
Por Ira Brito
Da flor nascerá
o capucho de algodão...
Vagueia pensamento
Pode alimentar ilusão
Vai lá onde o existir é nada
Passeia no vale das almas apenadas
Conversa com os seres sedentos
Que não pesam na balança da lei
Na lei dos que só pensam no bolso
No seu próprio bolso...
Vagueia pensamento
Na vida maldita dos que hoje são lixo...
Lixo podre e ambulante, volante...
Vagueia ondulante qual montanha
Qual estômago em náusea
Vagueia na orla, na margem do existir
Corre veloz, não em fuga...
Ali há um ser com pulga
Não pense que seja cão
É um ser que um dia teve razão...
Inhaca, insuportável inhaca
Não, não é gambá
Era só o que faltava
Gambá urbana...
13 dezembro 2006
ABSURDO
por Ira Brito
Se aquilo era sobre mim?
Se sou humano, sim!
Se é absurdo? Que seja.
Você nunca teve brotoeja?
Acho que teve
E deve ter sofrido
Deve ter fingido a dor
E até se desfarçado
Em um vencedor...
Aquela dor é minha
Porque é de alguém
Sim, é minha também.
E não é coisa do além...
Se eu sou pagão?
Algum pedaço
Em mim deve ser.
É que, às vezes,
Sou um absurdo
Para não ser mudo
À dor do mundo...
Não precisa entender
Nem tente isso.
E se tentar
Cuidado com o susto...
Se aquilo era sobre mim?
Se sou humano, sim!
Se é absurdo? Que seja.
Você nunca teve brotoeja?
Acho que teve
E deve ter sofrido
Deve ter fingido a dor
E até se desfarçado
Em um vencedor...
Aquela dor é minha
Porque é de alguém
Sim, é minha também.
E não é coisa do além...
Se eu sou pagão?
Algum pedaço
Em mim deve ser.
É que, às vezes,
Sou um absurdo
Para não ser mudo
À dor do mundo...
Não precisa entender
Nem tente isso.
E se tentar
Cuidado com o susto...
10 dezembro 2006
PERDIDO
Por Ira Brito
Amar dói
dói tanto
Amar amarga
Amar humilha
Amar faz rastejar
Amor não correspondido
Faz chorar....
A gente quer colo
Quer desabafar
Quer fugir
Quer ar para aliviar...
A gente não quer sofrer
Mas não tem jeito
Nada é perfeito
Ainda bem!
Mas dói tanto no peito...
Palavras,
Eu te degusto
Deságuo em ti
Choro em pranto
No meu canto
Sozinho, no banco...
Procuro me agarrar
Nada alcanço
Nem descanço
Não há ponto
Só reticência
Sem ciência...
Cada lágrima
Em seu sabor de sal
Escorre e deságua
Em meu poço universal...
Poço que me parte
Poço que me une
Poço que me pune
Poço....
Amar é perder-se
É demorar
Para se achar...
06 dezembro 2006
ATÉ MAIS
por Ira Brito
ao amigo Moisés
Há quem prefira adeus
Eu prefiro um até mais
Ou um até logo
Não há jamais...
Despedida... não gosto
É ferida, doída...
Mas meu amigo vai embora
Vai para casa. Agora
Aceno...
Vai, meu amigo!
Siga em paz
Conte comigo...
Valeu a partilha
Valeu a amizade
Valeu esta vida
Em comunidade...
Você vai
Você fica
Você leva
Você deixa...
Nas estradas da vida
Ah, estas estradas...
A gente vai se encontrar
Nas estrofes livres ou rimadas...
Palavras... Você sabe
Elas, às vezes, são dispensáveis...
Um abraço, amigo...
01 dezembro 2006
1º DE DEZEMBRO

por Ira Brito
Pelos que têm o HIV
Para que não se desesperem,
Não percam a vontade de viver,
Cultivem a esperança,
Saibam com a doença conviver.
Não se sintam os piores do mundo
Nem fique pensando em morrer.
Não se culpem, mas se cuidem,
Não aumente o padecer.
E as famílias compreendam,
Saibam carinho oferecer,
Pois o apoio e o cuidado
Mandam embora o sofrer
Por mais que o fardo seja pesado
Com união é mais fácil vencer...
25 novembro 2006
DICUMÊ
por Ira Brito
A noite,
antes de adormecer,
sentado na rede,
rezava: "meu Deus,
que eu não tenha sonho ruim.
Ajuda que amanhã papai e mamãe
consigam dicumê pra nós."
A noite,
antes de adormecer,
sentado na rede,
rezava: "meu Deus,
que eu não tenha sonho ruim.
Ajuda que amanhã papai e mamãe
consigam dicumê pra nós."
18 novembro 2006
TAMBORES
por Ira Brito
a Zumbi, aos homens e mulheres de nosso chão que nunca se curvaram perante a covardia e o preconceito daqueles que cospem e pisam a dignidade humana...
De letra em letra
Ponho frases no varal
Os pés sentem as folhas
Das árvores do meu quintal
A cigarra entoa cantiga
Mandando embora o mal
O mal que quer ser o rei
E destruir o amor
Que planta a discórdia
Bem como espalha a dor
E germina em cada mente
A semente do terror
Quem disse que o branco é
O melhor e mais decente?
Qual a teoria que afirma
E constata tal corrente?!
Só mesmo assegura isso
Quem não é inteligente
Mas há quem insista nisso
E alimente o preconceito
Dizendo que negro é
Um tipo que não tem jeito
Só age desta maneira
Quem é vazio de conceito
A escravidão foi abolida
Mas suas marcas permanecem
De Norte a Sul do Brasil
Os negros sempre padecem
Só não ver quem não quer
As chagas que ainda crescem
Porém o tambor bate forte
No peito pula o coração
O sangue quente na veia
A boca declama canção
O terreiro canta feliz
Nunca mais escravidão
Os tambores bateram ontem
Retumbam hoje também
Anunciam a liberdade
Dizem que novo mundo vem
Não só para alguns eleitos
Mas para os negros também
Se ontem tinha senzala
Hoje tem a favela
Antes havia quilombo
Hoje há outra janela
Nunca faltam saídas
Pra quem acha a vida bela
Só há uma raça no mundo
Isto é, a raça humana
Mas há diferença de cor
Ignorância pura e insana
Coisa de gente tola
Mesquinha e desumana
Para o mundo ser melhor
Há de se respeitar as diferenças
Combater todo o preconceito
Amenizar as desavenças
Nenhum humano estranho
Respeito a todas as crenças
Quem se acha no direito
De os outros dominar
Deveria olhar para si
E a ninguém mais maltratar
Ver que o sol nasce pra todos
Cada um tem seu lugar
Que nossa origem é a mesma
Besteira grande é negar
Somos parte de um todo
O melhor mesmo é aceitar
A beleza está nas diferenças
E não em padronizar
O preconceito mata
A ignorância assassina
A estupidez é cruel
Pode mudar nossa sina
Quem ama não perde tempo
Com coisa assim tão mesquinha...
a Zumbi, aos homens e mulheres de nosso chão que nunca se curvaram perante a covardia e o preconceito daqueles que cospem e pisam a dignidade humana...
De letra em letra
Ponho frases no varal
Os pés sentem as folhas
Das árvores do meu quintal
A cigarra entoa cantiga
Mandando embora o mal
O mal que quer ser o rei
E destruir o amor
Que planta a discórdia
Bem como espalha a dor
E germina em cada mente
A semente do terror
Quem disse que o branco é
O melhor e mais decente?
Qual a teoria que afirma
E constata tal corrente?!
Só mesmo assegura isso
Quem não é inteligente
Mas há quem insista nisso
E alimente o preconceito
Dizendo que negro é
Um tipo que não tem jeito
Só age desta maneira
Quem é vazio de conceito
A escravidão foi abolida
Mas suas marcas permanecem
De Norte a Sul do Brasil
Os negros sempre padecem
Só não ver quem não quer
As chagas que ainda crescem
Porém o tambor bate forte
No peito pula o coração
O sangue quente na veia
A boca declama canção
O terreiro canta feliz
Nunca mais escravidão
Os tambores bateram ontem
Retumbam hoje também
Anunciam a liberdade
Dizem que novo mundo vem
Não só para alguns eleitos
Mas para os negros também
Se ontem tinha senzala
Hoje tem a favela
Antes havia quilombo
Hoje há outra janela
Nunca faltam saídas
Pra quem acha a vida bela
Só há uma raça no mundo
Isto é, a raça humana
Mas há diferença de cor
Ignorância pura e insana
Coisa de gente tola
Mesquinha e desumana
Para o mundo ser melhor
Há de se respeitar as diferenças
Combater todo o preconceito
Amenizar as desavenças
Nenhum humano estranho
Respeito a todas as crenças
Quem se acha no direito
De os outros dominar
Deveria olhar para si
E a ninguém mais maltratar
Ver que o sol nasce pra todos
Cada um tem seu lugar
Que nossa origem é a mesma
Besteira grande é negar
Somos parte de um todo
O melhor mesmo é aceitar
A beleza está nas diferenças
E não em padronizar
O preconceito mata
A ignorância assassina
A estupidez é cruel
Pode mudar nossa sina
Quem ama não perde tempo
Com coisa assim tão mesquinha...
ISAIAS X MOISÉS
Nossa "Cigarra" trouxe Nietzsche para este espaço. Gostei! Peço licença aos caros amigos Isaías e Moisés para publicar aqui, bem na frente, o confronto de idéias. Assim os amigos e amigas que nos visitam podem usufruir melhor do Disputatio. Agradeço aos dois pela discussão. O debate entre diferentes idéias é sempre uma oportunidade para crescer e amadurecer os conceitos. E mais: partilhar conhecimento.
*******
Anônimo disse...
Ainda bem que você não fala de Nietzsche, pois se assim fosse eu não teriar argumentos. Muito boa a poesia última. "Cantará até expodir"; essa cigarra chegou ao "Übermacht", e isso é bom!
Novembro 05, 2006
משֶׁה disse...
Viva o som da vida...a vida simples, una e material, natural e complexa. Viva essa nossa natureza que nos assemelha aos bichos e nos destaca dentre os bichos. Ao anônimo-anômalo o desafio: Se há um “super-homem” como queria Nietzsche, haverá só nos cinemas, um ET, uma ficção para ilustrar as mentes doentias dos neo-nazistas com suas perversões. Viva a o “pífio-homem”, “que sabe que nada sabe”, sabendo que vai morrer.
Novembro 06, 2006
Isaias Silva Pinto disse...
Meu caro Moisés, somos marcados como seres que pensam e, nisso, a filosofia tem a dar sua contribuição. Ela quer tirar o ser humano de um mundo acomodado no raciocínio lógico intelectual para um mundo mais crítico e reflexivo. Isso ela o faz na e pela história. Dela surge questionamentos como o que é a verdade em si, e a verdade não está presente nos cinemas, estou certo disso. Pelo que pude perceber, você não compreendeu muito bem o nosso "Übermacht" ... Nós bem sabemos que a história é marcada pela inserção de várias correntes filosóficas ao longo das décadas. À medida que o homem evolui, sente-se rodeado a todo o momento da filosofia, que faz parte – quer queira quer não – da sua própria existência. Filósofos são apêndices da nossa filosofia, são eles as peças menos importantes, pois o pensar, a verdade e todas as razões e circunstâncias que permeiam o pensar existem e sempre existirão independentemente do que queiramos. Você que é filósofo por formação bem sabe que Descartes em sua Carta-prefácio aos princípios afirma que “viver sem filosofar é ter os olhos fechados sem jamais fazer o esforço por abri-los; e o prazer de ver todas as coisas que nossa vida descobre não é compatível à satisfação que dá o conhecimento daquelas que se encontram pela filosofia; e seu estudo é mais necessário que regular nossos costumes e nos conduzir na vida que o uso dos nossos olhos para guiar nossos passos”. A vida está presente na cigarra que canta, no homem que morre, e na própria morte que é o fim, ou dirá outros, o começo ... Viva a vida, faça e viva o amor ... não faça guerra!P.S.: O "anônimo-anômalo" não é mais anônimo-anômalo, é eu!
Novembro 09, 2006
משֶׁה disse...
Caro Isaias,Em primeiro lugar, desejo pedir desculpas a ti pelas minhas palavras: “Ao anônimo-anômalo o desafio: Se há um ‘super-homem’ como queria Nietzsche, haverá só nos cinemas, um ET, uma ficção para ilustrar as mentes doentias dos neo-nazistas com suas perversões. Viva a o ‘pífio-homem’, ‘que sabe que nada sabe’, sabendo que vai morrer”. Não sabia que eras tu. Se bem me lembro, da última vez que discutimos sobre o autor de “Assim falava Zoroastro”, terminei a discussão pedindo-te desculpas, e assim inicio essa breve resposta, sabendo que será a última, pois tu já conheces minha posição em relação a Nietzsche. Desobedeço meu mestre, Wittgenstein, que na última proposição de seu livro "Tratactus Logico-Philosophicus" afirmava: “do que não se pode falar, deve-se calar"[TLF 7]. Deveria me calar. No entanto, cedo à tentação de responder a ti.Em segundo lugar, pensar é algo intrínseco ao ser humano e isso concordo contigo, mas o pensamento limita o ser humano que pensa mediante a linguagem e como tal, ela se torna uma armadilha para todos nós, armadilha desnecessária para vivermos e sobrevivermos. Dado que a linguagem são jogos, labirinto que vivermos, emaranhado por onde transitamos. Assim sendo, discordo ainda de ti, quando tu achas que a lógica e a intelectualidade está em oposição ao “crítico” e ao “reflexivo”. A lógica e o exame lógico da linguagem é o instrumento possível de conseguirmos analisar a linguagem, pois é na linguagem que há a possibilidade de construirmos o que tu chamaste de “crítico”, “flexivo” e “história”. Para mim, boa parte dos problemas filosóficos são mal-entendidos da linguagem, armadilhas de linguagem em que a maior parte dos filósofos caíram, começando por Parmênides e Sócrates, passando por Nietzsche, até os dias de hoje.Em terceiro lugar, ao analisar o seu jogo de linguagem, não sei o que é “a verdes em si”, muito menos relacioná-la com história, dado que em outros jogos da linguagem “a verdade em si” é religião ou a é a arte como divagaram alguns filósofos naturalistas e românticos do século XIX que influenciam hoje a dita filosofia contemporânea. O cinema tem sua “verdade em si” também, dado que é um jogo de linguagem muito interessante.Em quarto lugar, tu dissestes: “você não compreendeu muito bem o nosso ‘Übermacht’”. Devo confessar a ti, não entendo 90% das proposições filosóficas. E não me acho um asno por isso. Compreendo que a história da filosofia Ocidental é cheia de contra-senso mesmo. Para mim essas filosofias (Descartes e Nietzsche) tem uma camada espessa de proposições absurdas, desnecessárias, anômalas e que não passam de mal-estendidos lingüísticos, porque são palavras sem contexto, “jogo de linguagem” deslocado. Assim, com absurdos as filosofias foram se sucedendo uma após outra, produzindo gente alucinada por reflexão e crítica, mas encarceradas dentro da garrafa da linguagem. Os filósofos, embaraçadas na rede da linguagem se tornaram e são, muitas vezes, verdadeiras moscas presas no vidro sem possibilidade de encontrar a saída. A terapêutica de Wittgenstein tenta, pela análise lógica da linguagem, mostrar o caminho da saída do vidro. Por isso que para mim a filosofia é atividade terapêutica de vida, porque à filosofia não pode e nem deve se encerrar nisso que Descartes disse. E aqui para nós, Nietzsche deve ter se revirado no túmulo, por tu ter defendido a ele e a filosofia com argumento cartesiano, coisa que ele tanto combateu, ou seja, Lógica e Intelectualidade como tu salientastes no início de tua argumentação.Em quinto lugar: Tu disseste: “Você que é filósofo por formação”. Não sou filósofo e refuto esse atributo, sou mero estudante de filosofia e se topo criticar Nietzsche é mero exercício desobediente. Pois, ao elaborar essas argumentações, me sinto como que afundado numa areia movediça (linguagem) que tenta puxar outra pessoa afundada nessa areia movediça (linguagem). Desculpa-me pela figuração, mas é a única possível para eu compreender essa minha posição. E por fim, não sei o que é a vida e onde ela está. Defini-la é limitá-la, especular sobre ela é uma armadilha, transformá-la em um chavão é um insulto. Valeu. Devo silenciar-me agora e continuar seguindo os passos da terapêutica, coisa que sugiro a ti que é uma pessoa inteligente, esforçado e cheio de amor para com a vida.
Novembro 09, 2006
Isaias Silva Pinto disse...
Isso aí Moisés. Desculpe, mas eu não tenho como discutir filosofia com você. Eu sou um simples cosmopolita-emancipado, e nem tenho sequer graduação ainda. Peço que você tenha um pouco de paciência, e quem sabe um dia poderemos discutir à altura. Tive muita dificuldade em compreender sua resposta ao meu comentário, mesmo me utilizando de um diciónário de filosofia, e não estou à altura de discutir tais temas com você. Agradeço pela sua atenção, e confesso que pude aprender muito com suas palavras. Vou continuar meu esforço nas leituras de Nietzsche, estou até tentando fazer um trabalhinho que me tira o sono, "A desconstrução da Linguagem em Friedrich Wilhelm Nietzsche", mas depois do comentário, penso que é melhor eu mudar de foco, pois descobri que tudo que eu li e estudei do meu filósofo amado de nada me serve. Forte abraço, e fique com Deus.
Novembro 10, 2006
Anônimo disse...
“viver sem filosofar é ter os olhos fechados sem jamais fazer o esforço por abri-los; e o prazer de ver todas as coisas que nossa vida descobre não é compatível à satisfação que dá o conhecimento daquelas que se encontram pela filosofia; e seu estudo é mais necessário que regular nossos costumes e nos conduzir na vida que o uso dos nossos olhos para guiar nossos passos”
Descartes Apud. MORRA, Gianfranco. Filosofia para todos. São Paulo: Paulus, 2001. p. 9.
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Anônimo disse...
Ainda bem que você não fala de Nietzsche, pois se assim fosse eu não teriar argumentos. Muito boa a poesia última. "Cantará até expodir"; essa cigarra chegou ao "Übermacht", e isso é bom!
Novembro 05, 2006
משֶׁה disse...
Viva o som da vida...a vida simples, una e material, natural e complexa. Viva essa nossa natureza que nos assemelha aos bichos e nos destaca dentre os bichos. Ao anônimo-anômalo o desafio: Se há um “super-homem” como queria Nietzsche, haverá só nos cinemas, um ET, uma ficção para ilustrar as mentes doentias dos neo-nazistas com suas perversões. Viva a o “pífio-homem”, “que sabe que nada sabe”, sabendo que vai morrer.
Novembro 06, 2006
Isaias Silva Pinto disse...
Meu caro Moisés, somos marcados como seres que pensam e, nisso, a filosofia tem a dar sua contribuição. Ela quer tirar o ser humano de um mundo acomodado no raciocínio lógico intelectual para um mundo mais crítico e reflexivo. Isso ela o faz na e pela história. Dela surge questionamentos como o que é a verdade em si, e a verdade não está presente nos cinemas, estou certo disso. Pelo que pude perceber, você não compreendeu muito bem o nosso "Übermacht" ... Nós bem sabemos que a história é marcada pela inserção de várias correntes filosóficas ao longo das décadas. À medida que o homem evolui, sente-se rodeado a todo o momento da filosofia, que faz parte – quer queira quer não – da sua própria existência. Filósofos são apêndices da nossa filosofia, são eles as peças menos importantes, pois o pensar, a verdade e todas as razões e circunstâncias que permeiam o pensar existem e sempre existirão independentemente do que queiramos. Você que é filósofo por formação bem sabe que Descartes em sua Carta-prefácio aos princípios afirma que “viver sem filosofar é ter os olhos fechados sem jamais fazer o esforço por abri-los; e o prazer de ver todas as coisas que nossa vida descobre não é compatível à satisfação que dá o conhecimento daquelas que se encontram pela filosofia; e seu estudo é mais necessário que regular nossos costumes e nos conduzir na vida que o uso dos nossos olhos para guiar nossos passos”. A vida está presente na cigarra que canta, no homem que morre, e na própria morte que é o fim, ou dirá outros, o começo ... Viva a vida, faça e viva o amor ... não faça guerra!P.S.: O "anônimo-anômalo" não é mais anônimo-anômalo, é eu!
Novembro 09, 2006
משֶׁה disse...
Caro Isaias,Em primeiro lugar, desejo pedir desculpas a ti pelas minhas palavras: “Ao anônimo-anômalo o desafio: Se há um ‘super-homem’ como queria Nietzsche, haverá só nos cinemas, um ET, uma ficção para ilustrar as mentes doentias dos neo-nazistas com suas perversões. Viva a o ‘pífio-homem’, ‘que sabe que nada sabe’, sabendo que vai morrer”. Não sabia que eras tu. Se bem me lembro, da última vez que discutimos sobre o autor de “Assim falava Zoroastro”, terminei a discussão pedindo-te desculpas, e assim inicio essa breve resposta, sabendo que será a última, pois tu já conheces minha posição em relação a Nietzsche. Desobedeço meu mestre, Wittgenstein, que na última proposição de seu livro "Tratactus Logico-Philosophicus" afirmava: “do que não se pode falar, deve-se calar"[TLF 7]. Deveria me calar. No entanto, cedo à tentação de responder a ti.Em segundo lugar, pensar é algo intrínseco ao ser humano e isso concordo contigo, mas o pensamento limita o ser humano que pensa mediante a linguagem e como tal, ela se torna uma armadilha para todos nós, armadilha desnecessária para vivermos e sobrevivermos. Dado que a linguagem são jogos, labirinto que vivermos, emaranhado por onde transitamos. Assim sendo, discordo ainda de ti, quando tu achas que a lógica e a intelectualidade está em oposição ao “crítico” e ao “reflexivo”. A lógica e o exame lógico da linguagem é o instrumento possível de conseguirmos analisar a linguagem, pois é na linguagem que há a possibilidade de construirmos o que tu chamaste de “crítico”, “flexivo” e “história”. Para mim, boa parte dos problemas filosóficos são mal-entendidos da linguagem, armadilhas de linguagem em que a maior parte dos filósofos caíram, começando por Parmênides e Sócrates, passando por Nietzsche, até os dias de hoje.Em terceiro lugar, ao analisar o seu jogo de linguagem, não sei o que é “a verdes em si”, muito menos relacioná-la com história, dado que em outros jogos da linguagem “a verdade em si” é religião ou a é a arte como divagaram alguns filósofos naturalistas e românticos do século XIX que influenciam hoje a dita filosofia contemporânea. O cinema tem sua “verdade em si” também, dado que é um jogo de linguagem muito interessante.Em quarto lugar, tu dissestes: “você não compreendeu muito bem o nosso ‘Übermacht’”. Devo confessar a ti, não entendo 90% das proposições filosóficas. E não me acho um asno por isso. Compreendo que a história da filosofia Ocidental é cheia de contra-senso mesmo. Para mim essas filosofias (Descartes e Nietzsche) tem uma camada espessa de proposições absurdas, desnecessárias, anômalas e que não passam de mal-estendidos lingüísticos, porque são palavras sem contexto, “jogo de linguagem” deslocado. Assim, com absurdos as filosofias foram se sucedendo uma após outra, produzindo gente alucinada por reflexão e crítica, mas encarceradas dentro da garrafa da linguagem. Os filósofos, embaraçadas na rede da linguagem se tornaram e são, muitas vezes, verdadeiras moscas presas no vidro sem possibilidade de encontrar a saída. A terapêutica de Wittgenstein tenta, pela análise lógica da linguagem, mostrar o caminho da saída do vidro. Por isso que para mim a filosofia é atividade terapêutica de vida, porque à filosofia não pode e nem deve se encerrar nisso que Descartes disse. E aqui para nós, Nietzsche deve ter se revirado no túmulo, por tu ter defendido a ele e a filosofia com argumento cartesiano, coisa que ele tanto combateu, ou seja, Lógica e Intelectualidade como tu salientastes no início de tua argumentação.Em quinto lugar: Tu disseste: “Você que é filósofo por formação”. Não sou filósofo e refuto esse atributo, sou mero estudante de filosofia e se topo criticar Nietzsche é mero exercício desobediente. Pois, ao elaborar essas argumentações, me sinto como que afundado numa areia movediça (linguagem) que tenta puxar outra pessoa afundada nessa areia movediça (linguagem). Desculpa-me pela figuração, mas é a única possível para eu compreender essa minha posição. E por fim, não sei o que é a vida e onde ela está. Defini-la é limitá-la, especular sobre ela é uma armadilha, transformá-la em um chavão é um insulto. Valeu. Devo silenciar-me agora e continuar seguindo os passos da terapêutica, coisa que sugiro a ti que é uma pessoa inteligente, esforçado e cheio de amor para com a vida.
Novembro 09, 2006
Isaias Silva Pinto disse...
Isso aí Moisés. Desculpe, mas eu não tenho como discutir filosofia com você. Eu sou um simples cosmopolita-emancipado, e nem tenho sequer graduação ainda. Peço que você tenha um pouco de paciência, e quem sabe um dia poderemos discutir à altura. Tive muita dificuldade em compreender sua resposta ao meu comentário, mesmo me utilizando de um diciónário de filosofia, e não estou à altura de discutir tais temas com você. Agradeço pela sua atenção, e confesso que pude aprender muito com suas palavras. Vou continuar meu esforço nas leituras de Nietzsche, estou até tentando fazer um trabalhinho que me tira o sono, "A desconstrução da Linguagem em Friedrich Wilhelm Nietzsche", mas depois do comentário, penso que é melhor eu mudar de foco, pois descobri que tudo que eu li e estudei do meu filósofo amado de nada me serve. Forte abraço, e fique com Deus.
Novembro 10, 2006
Anônimo disse...
“viver sem filosofar é ter os olhos fechados sem jamais fazer o esforço por abri-los; e o prazer de ver todas as coisas que nossa vida descobre não é compatível à satisfação que dá o conhecimento daquelas que se encontram pela filosofia; e seu estudo é mais necessário que regular nossos costumes e nos conduzir na vida que o uso dos nossos olhos para guiar nossos passos”
Descartes Apud. MORRA, Gianfranco. Filosofia para todos. São Paulo: Paulus, 2001. p. 9.
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