no peito, um nó
na garganta, um grito entalado
e os plátanos todos tristes...
03 junho 2007
01 junho 2007
cidadania no ritmo de cordel
este é meu livrinho de cordel. editado pela Paulus


[...]
a polis (cidade) grega
é o marco original
da concepção cidadã
e de sua função como tal
ali os homens livres
pensam a vida social
[...]
é o marco original
da concepção cidadã
e de sua função como tal
ali os homens livres
pensam a vida social
[...]
no caminho da cidadania
no que se refere ao Brasil,
nem sempre todos foram
filhos da pátria mãe gentil.
os pobres foram largados
debaixo do céu de anil
[...]
no país que bem se preze
na arte de governar,
criança não passa fome,
tem casa boa pra morar,
é protegida e amada,
e seu trabalho é brincar...
28 maio 2007
dia assim
acordou cedo e saiu ao léu
não era da terra nem do céu
encontrava-se noutra dimensão
o corpo em sensação de paz
de serenidade e quase eternidade
no entanto, alguma coisa pedia mais
esse mais é sempre aquela margem
ou certo buraco escuro
quem sabe algum muro
dentro da gente
qualquer oco em nós
porém, no geral estava bem
o dia claro havia juntado céu e terra
dois em um
por isso não era terra
nem céu...
não era da terra nem do céu
encontrava-se noutra dimensão
o corpo em sensação de paz
de serenidade e quase eternidade
no entanto, alguma coisa pedia mais
esse mais é sempre aquela margem
ou certo buraco escuro
quem sabe algum muro
dentro da gente
qualquer oco em nós
porém, no geral estava bem
o dia claro havia juntado céu e terra
dois em um
por isso não era terra
nem céu...
25 maio 2007
o que vale
o que restará
de meus
dias corridos
das horas coagidas
das noites curtas
ou eternas
dos prazos cumpridos
das angústias presentes
da pressa ferrenha
dos compromissos de agenda
de tudo que me fende
?
...
22 maio 2007
portão
hoje, na saída da UFMG, no acesso à avenida antônio carlos, um cara me abordou:
- você gosta de poesia?
não esperou minha resposta, apresentou logo um folheto de capa vemelha com o título:
PA
LA
VRA
RIA
estava apressado e não pude fazer muitas perguntas. perguntei se as ilustrações eram de autoria dele também.
- não, é de um amigo. disse.
perguntei o valor: r$ 5.00. Comprei e sai às pressas. desejei bom trabalho. Ele disse:
- muito obrigado, cara!
Depois, no ônibus, me arrependi por não ter conversado um pouco mais. Amei cada verso com prazer. É tudo muito louco, anormal.
Cito um poema:
a fundo
tipo de coisa que consome
descaso
naufrago em mim
pingo feito torneira frouxa
me esvaindo
esvaindo de mim tudo que é do outro
contrário disto
me concentraria feito pimenta ardida
do gueto
ou caçachaça alambicada
da praça
e lá
naqueles bancos de concreto
qualquer voz é música
qualquer ser é Deus
qualquer gole é ouro,
qualquer coisa eu enloqueço
abandono as preces, os prazos
os prazeres
e vou de gozo em gozo gritando além.
(renato limão - edição independente - direitos reservados. renato_limão@yahoo.com.br)
20 maio 2007
aperto
"a glória de Deus é o homem vivo".
a glória de Deus é a pessoa humana saudável, feliz,
com casa, comida, agasalho, educação,
trabalho, lazer; com vida plena...
para mim, o céu tem que começar aqui.
não tem essa de sofrer nesta vida
para ganhar um prêmio de vida feliz na outra.
essa é uma idéia há muito superada,
que serviu para os podesosos explorarem os pobres
em nome do medo dos horrores do inferno...
inferno é passar fome, ficar doente e não poder se tratar,
passar frio e não ter agasalho, aquecedor,
sentir fome e não ter nada para comer,
não ter oportunidade de trabalho
e ainda ser tratado como vagabundo...
inferno é a total ausência de vida; de sentido,
inferno é o não sentido....
a glória de Deus é a pessoa humana saudável, feliz,
com casa, comida, agasalho, educação,
trabalho, lazer; com vida plena...
para mim, o céu tem que começar aqui.
não tem essa de sofrer nesta vida
para ganhar um prêmio de vida feliz na outra.
essa é uma idéia há muito superada,
que serviu para os podesosos explorarem os pobres
em nome do medo dos horrores do inferno...
inferno é passar fome, ficar doente e não poder se tratar,
passar frio e não ter agasalho, aquecedor,
sentir fome e não ter nada para comer,
não ter oportunidade de trabalho
e ainda ser tratado como vagabundo...
inferno é a total ausência de vida; de sentido,
inferno é o não sentido....
19 maio 2007
na terra
solidão acompanhada
silêncio nunca calado
segue avante a estrada
sobe às alturas alado...
se as asas não alçam vôo
ainda é tempo do chão
pisa firme o aqui e agora
mente, vontade, emoção
junta sem medo algum
intelecto e coração...
12 maio 2007
a foto
para mamãe Mirian
pegou a foto com ternura. olhou-a fixamente, imóvel. tempo quase eterno. seus olhos nem piscavam. ambos, foto e pessoa, eram imagens congeladas. uma lágrima silenciosa brota de seu olho esquerdo. lentamente escorre, enquanto outra, desponta do olho direito. ambas deságuam na boca. gosto salgado, amargo. seus olhos são duas fontes, dois riachos correndo em direção ao mar da saudade. saudade do filho ausente que tanto ama e gostaria de tê-lo sempre ao seu lado. lembra-se daquele triste dia que o viu partir para cidade grande, em busca do sonho, do desconhecido, das promessas de futuro feliz. tão jovem! recorda-se do abraço apertado, aquele abraço de até mais. Deus te abençoe, meu filho, Deus te acompanhe. seu coração está apertado. é que hoje, a saudade bateu à sua porta sem pena, nem piedade. o único alento é ver a foto, exatamente aquela sobre a cômoda. fica sempre ali, para ser apreciada. é como a presença viva do filho ausente. sabe que um dia o filho teria que deixar a casa para escolher seu rumo, ou o que a vida se encarregaria de mostrar. no entanto, era muito cedo para ele fazer isso, pensa. sente neste momento, imensa necessidade de dizer ao filho o quanto o ama. arrepende-se de em certos tempos não ter expressado com palavras e gestos esse amor especial. se bem que, amor de mãe não precisa de palavras, mas é o que ela pensa neste momento de saudade contida.
06 maio 2007
ocaso
uma lágrima feito rio
um sorriso e um arrepio
vida feita de lembrança
no coração uma lança
não sai água nem sangue
mas lama preta do mangue...
no fundo do poço há restos
dos momentos indigestos
das situações sem sentido
e daquela dor e gemidos
que arderam como brasas
deixando minha alma rasa...
um sorriso e um arrepio
vida feita de lembrança
no coração uma lança
não sai água nem sangue
mas lama preta do mangue...
no fundo do poço há restos
dos momentos indigestos
das situações sem sentido
e daquela dor e gemidos
que arderam como brasas
deixando minha alma rasa...
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