"por que essa noite
é diferente das outras noites?"
feliz páscoa!
11 abril 2009
10 abril 2009
09 abril 2009
ceia
comida e bebida
ritual de partilha
despedida
o amor é pão
ainda que em nacos
farelos, cacos
o amor é líquido
vinho e sangue
nas veias
última ceia
o amor é lavar
os pés dos outros
o amor é só amar...
ritual de partilha
despedida
o amor é pão
ainda que em nacos
farelos, cacos
o amor é líquido
vinho e sangue
nas veias
última ceia
o amor é lavar
os pés dos outros
o amor é só amar...
08 abril 2009
coroa de espinhos
coro cabeludo
sangrias abertas
carne viva
nos presídios
olhos apagados
corpos fragelados
corpos nus
escarnecidos
servidos em gotas...
sangrias abertas
carne viva
nos presídios
olhos apagados
corpos fragelados
corpos nus
escarnecidos
servidos em gotas...
07 abril 2009
flagelação
chicotes invisíveis
sangue coagulado
bofetada no abdome
grito
na dor da mãe
pelo filho que partiu
antes do crepúsculo
no choro das crianças
dos morros e do asfalto
sem brinquedo
nem afago
na angústia humana
que tem muitos nomes
mas é uma dor só...
sangue coagulado
bofetada no abdome
grito
na dor da mãe
pelo filho que partiu
antes do crepúsculo
no choro das crianças
dos morros e do asfalto
sem brinquedo
nem afago
na angústia humana
que tem muitos nomes
mas é uma dor só...
06 abril 2009
horto
o suor era sangue
angustia e dor
o amargor do cálice
consequência do amor
a morte viria
o corpo tremia
quanta agonia
na noite escura
a captura
e um beijo falso
do traidor...
angustia e dor
o amargor do cálice
consequência do amor
a morte viria
o corpo tremia
quanta agonia
na noite escura
a captura
e um beijo falso
do traidor...
04 abril 2009
desvario
e se secar a saliva
não houve mata nativa
se o oxigênio acabar
e a luz se apagar
a escuridão descer
todo mundo se perder
se a garganta der um nó
o nariz encher de pó
se houver ranger de dentes
os corpos assim doentes
e se toda a casa cair
o mundo inteiro sumir
seja lá o que for
ódio ou amor
haja lá o que houver
ação boa ou de má-fé
só uns punhados de terra
nossa luta aqui encerra...
não houve mata nativa
se o oxigênio acabar
e a luz se apagar
a escuridão descer
todo mundo se perder
se a garganta der um nó
o nariz encher de pó
se houver ranger de dentes
os corpos assim doentes
e se toda a casa cair
o mundo inteiro sumir
seja lá o que for
ódio ou amor
haja lá o que houver
ação boa ou de má-fé
só uns punhados de terra
nossa luta aqui encerra...
29 março 2009
quimera
era uma vez uma aldeia
onde reinava a poesia
todos lá vivam em paz
Todos lá tinham alegria
todos lá eram poetas
fosse noite, fosse dia...
as brigas que lá haviam
eram somente as pelejas
dos poetas repentistas
nas cantorias sertanejas
as disputa verbais
duravam noites inteiras
toda gente bem feliz
ria com as brincadeiras
dos poetas repentistas
e suas rimas certeiras
naquele aldeia
a lei era a voz ao vivo
nos lábios de todos
havia sempre sorriso
e a riqueza maior
era dizer versos de improviso...
onde reinava a poesia
todos lá vivam em paz
Todos lá tinham alegria
todos lá eram poetas
fosse noite, fosse dia...
as brigas que lá haviam
eram somente as pelejas
dos poetas repentistas
nas cantorias sertanejas
as disputa verbais
duravam noites inteiras
toda gente bem feliz
ria com as brincadeiras
dos poetas repentistas
e suas rimas certeiras
naquele aldeia
a lei era a voz ao vivo
nos lábios de todos
havia sempre sorriso
e a riqueza maior
era dizer versos de improviso...
28 março 2009
ensejo
naquele tempo inocente
quando não carecia de esperteza
tinha um mundo a minha frente
e uma grande luz acesa
hoje cheio de dúvidas
preocupado com a razão
todo dia em pesadas lidas
sinto vazio o coração
se o homem foi condenado
à faculdade do pensar
tornou-se também abobado
e por aí vive a vagar...
quando não carecia de esperteza
tinha um mundo a minha frente
e uma grande luz acesa
hoje cheio de dúvidas
preocupado com a razão
todo dia em pesadas lidas
sinto vazio o coração
se o homem foi condenado
à faculdade do pensar
tornou-se também abobado
e por aí vive a vagar...
27 março 2009
nas horas
nas horas em que o silêncio
não quer ser mais silêncio
nas horas em que a prudência
quer mais é ser louca
nas horas em que o corpo
pede paciência
nas horas é que a voz
se faz de rouca
nas horas em que a noite
é toda escura
nas horas em que os dedos
tateiam afagos
nas horas em que os olhos
se fecham pelo desejo
nas horas em que o peito
é casca de cigarra
nas horas em que a garganta
é só pigarro
nas horas em que o abraço
não devia acabar
nas horas em que a pessoa
sai da foto
nas horas em que a foto
faz chorar
nas horas em que a lágrima
quer ser rio
nas horas em que lembrar
causa arrepio
nas horas em que viver
é pura alegria
nas horas em que o sorriso
salva o dia...
não quer ser mais silêncio
nas horas em que a prudência
quer mais é ser louca
nas horas em que o corpo
pede paciência
nas horas é que a voz
se faz de rouca
nas horas em que a noite
é toda escura
nas horas em que os dedos
tateiam afagos
nas horas em que os olhos
se fecham pelo desejo
nas horas em que o peito
é casca de cigarra
nas horas em que a garganta
é só pigarro
nas horas em que o abraço
não devia acabar
nas horas em que a pessoa
sai da foto
nas horas em que a foto
faz chorar
nas horas em que a lágrima
quer ser rio
nas horas em que lembrar
causa arrepio
nas horas em que viver
é pura alegria
nas horas em que o sorriso
salva o dia...
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