28 novembro 2009

mar

sem entender
corri rumo ao mar
estava escuro
apenas ouvia as ondas
e sentia o vento morno
que colava em minha pele

corri para oferecer lágrimas
lágrimas ao imenso
ali curti a dor de amar
e passei sede em frente ao mar...

20 novembro 2009

fome

abro a boca
e o íntimo treme
o tempo geme
nesta hora oca

o céu lá fora
me chama
como uma voz
de quem ama

o vento lento
a cortina abana
e no meu coração
a saudade do amor
que antes de existir
se foi...

11 novembro 2009

silêncio do amor

quando o coração sente
de verdade a presença do amor
todas as perguntas são desnecessárias

o amor não calcula
não perde tempo com falas vazias

o amor simplesmente se mostra
enche os espaços de vida
e se faz sentir

diante da pessoa amada
em cada pulsar do coração
o mistério profundo se revela
no silêncio da alma

é nessa hora que as palavras se calam
é nessa hora que a verdade se mostra
e a gente experimenta o sublime
sem pronunciar uma palavra...

08 novembro 2009

arrolho

os olhos como vertentes
dão voz a minha dor calada
a lágrima silenciosa
rompe o silêncio da madrugada...

03 novembro 2009

cena

a vida me desafia:
- tira essa cara de tristeza
bota outra de alegria...

02 novembro 2009

natalidade

neste dia de memória dos falecidos
não reverencio a morte
só a vida merece reverência
admito, sim, que a morte constitui uma realidade
biologicamente, ela é inevitável
morrerei

mas prefiro a palavra natalidade
é ela que nos iguala
que nos torna semelhantes
portadores da mesma dignidade

nascemos para começar algo novo
e é por essa condição
de renovação que
neste dia de finados
expresso minha fé em outro nascimento...

29 outubro 2009

rio

sou rio
de águas correntes
rio

de águas paradas

rio subterrâneo de mim
de água, de sangue
de desejo, de paixão...

27 outubro 2009

sopro

vento
venha
me traz o que nem sei
e antes de sabê-lo
prezo
rezo

vento
não quero promessas
vem
me devolve o sopro
aquele vital

sou barro
não
nem bem
nem mal
ou
bem e mal

vento
ouve meu silêncio
sopra em mim...

26 outubro 2009

segunda

no aconchego de casa
na segurança da poltrona
diante da tevê
deixo que a lágrima
escorra silenciosa

são tantas dores
tumultos humanos
nesta segunda de morte

um bebê
baleado no colo da mãe
a mãe é morta

isso é dolorido demais...

25 outubro 2009

romance

escreverei uma história
terá 13 capítulos
se não houver aborto
nascerá daqui a 9 meses

poderá também
nascer de 7 meses

não sei o gênero
talvez híbrido
como tudo que existe...