reservou o que tinha de melhor
com o perfume mais caro
ungiu os pés do amado
aos seus pés se lançou
e com seus cabelos os enxugou
o aroma preencheu os espaços
o amor tudo completa
só o amor importa...
03 abril 2012
01 abril 2012
tarde de domingo
o toque na tecla
e o piano agudo penetra a alma
nesta tarde calma
há um fio que nada mescla
olho a mão, a palma
vejo um M
rio, canoa sem leme
a vida escorre...
e o piano agudo penetra a alma
nesta tarde calma
há um fio que nada mescla
olho a mão, a palma
vejo um M
rio, canoa sem leme
a vida escorre...
26 março 2012
vigia
o vigia da noite
espera ansioso a aurora
e quando a aurora desponta
ele deseja fechar os olhos
adormecer na luz...
espera ansioso a aurora
e quando a aurora desponta
ele deseja fechar os olhos
adormecer na luz...
23 março 2012
quando termina é então que começa
a voz veio
serena
do fundo da alma
no olhar havia calma
seria a última cena ...
18 março 2012
longa noite
a noite descia ao encontro da terra
bem naquela hora em que tudo pede colo
quando o dia seu expediente encerra
e o peito e os pés buscam o solo
lembra da criança prematura na incubadora
depois de nascer na rede
da mãe inocente e nova
distante dos cuidados medicais
a rima não vem
sabe lá o que é ter sede
quando se tem à frente o mar
o corpo franzino desequilibra o ritmo
a garganta pigarra a voz entalada
aos pobres basta Deus
só Deus basta
e certamente ele abomina
o sofrimento imposto...
bem naquela hora em que tudo pede colo
quando o dia seu expediente encerra
e o peito e os pés buscam o solo
lembra da criança prematura na incubadora
depois de nascer na rede
da mãe inocente e nova
distante dos cuidados medicais
a rima não vem
sabe lá o que é ter sede
quando se tem à frente o mar
o corpo franzino desequilibra o ritmo
a garganta pigarra a voz entalada
aos pobres basta Deus
só Deus basta
e certamente ele abomina
o sofrimento imposto...
17 março 2012
pingos
os pingos de chuva lá fora
as águas de março na telha
o lençol limpo e cheiroso
manda o cansaço embora
o relâmpago rasga o céu
num átimo tudo avermelha
de repente um assombro
o trovão e o estrondo
os sem-tetos não ouvem
a música das telhas....
as águas de março na telha
o lençol limpo e cheiroso
manda o cansaço embora
o relâmpago rasga o céu
num átimo tudo avermelha
de repente um assombro
o trovão e o estrondo
os sem-tetos não ouvem
a música das telhas....
14 março 2012
da janela
Queria que as ruas fossem coloridas
as pessoas fossem apreciadas mais que as máquinas
e a paz fosse mais do que uma palavra ou slogan
De novo, da janela do quarto, vejo jovens caídos na avenida Portugal
Ouço choro, buzinas.
E vejo sangue...
as pessoas fossem apreciadas mais que as máquinas
e a paz fosse mais do que uma palavra ou slogan
De novo, da janela do quarto, vejo jovens caídos na avenida Portugal
Ouço choro, buzinas.
E vejo sangue...
12 março 2012
templo
há dias que vem o relâmpago
o vento e o travão
tudo junto é tempestade
há dias que dentro da gente
o trovão é no coração
o relâmpago, no âmago
na face e nas mãos, emoção
há dias que a mesa precisa ser virada
os vendilhões expulsos
a palavra calada
depois
só o templo vivo basta...
o vento e o travão
tudo junto é tempestade
há dias que dentro da gente
o trovão é no coração
o relâmpago, no âmago
na face e nas mãos, emoção
há dias que a mesa precisa ser virada
os vendilhões expulsos
a palavra calada
depois
só o templo vivo basta...
10 março 2012
pródigo
pródigo coração
volta
ele nunca te esqueceu
e nem reclama tuas faltas
pródigo coração
volta
o nome dele é perdão
de longe ele te avista
corre ao teu encontro
e sem perguntas possessivas
te abraça, te enche de beijos
te veste com a roupa do amor
e manda fazer festa
o que estava perdido foi encontrado
isso basta...
volta
ele nunca te esqueceu
e nem reclama tuas faltas
pródigo coração
volta
o nome dele é perdão
de longe ele te avista
corre ao teu encontro
e sem perguntas possessivas
te abraça, te enche de beijos
te veste com a roupa do amor
e manda fazer festa
o que estava perdido foi encontrado
isso basta...
07 março 2012
água
um fio de água mole
discreto escorre
inocente corre
depois
de pedra em pedra
bate
bate e fura
pedra dura
com o tempo rei
abre vales
chora lágrimas...
discreto escorre
inocente corre
depois
de pedra em pedra
bate
bate e fura
pedra dura
com o tempo rei
abre vales
chora lágrimas...
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