no princípio era o silêncio
e do silêncio nasceu a palavra
e tudo o que existe...
19 agosto 2011
08 agosto 2011
entre a ausência e a plenitude
como invocar tua presença
se estás em toda parte
e preenches todos os espaços de minha existência?
se estás em toda parte
e preenches todos os espaços de minha existência?
06 agosto 2011
cadeado
há um espaço em que ninguém pode entrar
o lugar todo meu, somente meu
pelas aparências ninguém me conhece
a superficialidade é superfluidade
é apenas superfície
lá no profundo
este sempre menino chora, esperneia
se apaixona e sofre
nem o lume frio do espelho
penetra o meu poço fundo...
o lugar todo meu, somente meu
pelas aparências ninguém me conhece
a superficialidade é superfluidade
é apenas superfície
lá no profundo
este sempre menino chora, esperneia
se apaixona e sofre
nem o lume frio do espelho
penetra o meu poço fundo...
28 julho 2011
imagem no escuro
essa inquietude vigilante
a face no travesseiro
e lá do profundo da alma um poema nascendo
possessão, entidade poética
construo uma aldeia imaginária...
a face no travesseiro
e lá do profundo da alma um poema nascendo
possessão, entidade poética
construo uma aldeia imaginária...
26 julho 2011
sem rodeios
se às vezes sou trágico
se exagero
se faço o mal que não quero
se choro na frente da tela
se gosto de olhar da janela
se torpedo poemas
se não resolvo os dilemas
se insisto em querer
o que não deveria ter
é que sou feito do avesso
contramão de mim mesmo
sem data, sem vitrina, nem preço
sou sem começo e o meu fim não conheço...
se exagero
se faço o mal que não quero
se choro na frente da tela
se gosto de olhar da janela
se torpedo poemas
se não resolvo os dilemas
se insisto em querer
o que não deveria ter
é que sou feito do avesso
contramão de mim mesmo
sem data, sem vitrina, nem preço
sou sem começo e o meu fim não conheço...
25 julho 2011
pedaços
aquela saudade do que nunca existiu
dói tanto, essa dor sem nome
lá no fundo a voz sem fala azucrina a alma
o domingo some entre o cinza
e eu sinto o peito em vácuo
bastaria um "oi"
ou uma migalhinha de ternura
seus abraços
ponho a mão no peito
fecho os olhos lentamente
escorrem lágrimas mornas e salobras
eu mesmo me escorro, me liquefaço
me viro em pedaços...
dói tanto, essa dor sem nome
lá no fundo a voz sem fala azucrina a alma
o domingo some entre o cinza
e eu sinto o peito em vácuo
bastaria um "oi"
ou uma migalhinha de ternura
seus abraços
ponho a mão no peito
fecho os olhos lentamente
escorrem lágrimas mornas e salobras
eu mesmo me escorro, me liquefaço
me viro em pedaços...
17 julho 2011
esfinge
vomitou dormindo
e nunca mais acordou
talvez haja morte sem dor
nem se mexeu
a sujeira interna escorreu
da boca ao ventre
descendo ao púbis
talvez tenha expelido
o gosto amargo do não-ser
ou mesmo resquícios de algum amor doído
as marcas ficaram na brancura do travesseiro
e na alvura do lençol
o dia veio e trouxe o sol...
e nunca mais acordou
talvez haja morte sem dor
nem se mexeu
a sujeira interna escorreu
da boca ao ventre
descendo ao púbis
talvez tenha expelido
o gosto amargo do não-ser
ou mesmo resquícios de algum amor doído
as marcas ficaram na brancura do travesseiro
e na alvura do lençol
o dia veio e trouxe o sol...
08 julho 2011
travessia
as carnes secas e frias
o jeans surrado vestindo as pernas magras
o peito nu desprovido de pudor
os lábios rachados e a língua faminta
denunciavam um profundo e raso viver
vidinha em gotas, como aquela garoa que caia
os olhos lânguidos quase em lágrimas
diziam de um dor sem nome
preferiu virar a cara e seguir
sumiu vereda adentro
naquele caminho sem volta
fez-se fumaça em meio ao nada...
o jeans surrado vestindo as pernas magras
o peito nu desprovido de pudor
os lábios rachados e a língua faminta
denunciavam um profundo e raso viver
vidinha em gotas, como aquela garoa que caia
os olhos lânguidos quase em lágrimas
diziam de um dor sem nome
preferiu virar a cara e seguir
sumiu vereda adentro
naquele caminho sem volta
fez-se fumaça em meio ao nada...
07 junho 2011
configuração
mostrou o rosto do amor
e não foi só palavras
foi corpo de carne
toque, olhar, cumplicidade
não fugiu na crise, nem da dor
soube olhar além das aparências
sentiu o sopro, o hálito da vida
respiração com respiração
fez-se uma mesma alma
acessou a parte mais íntima
o lugar mais sagrado
e sempre recordou a palavra dada...
e não foi só palavras
foi corpo de carne
toque, olhar, cumplicidade
não fugiu na crise, nem da dor
soube olhar além das aparências
sentiu o sopro, o hálito da vida
respiração com respiração
fez-se uma mesma alma
acessou a parte mais íntima
o lugar mais sagrado
e sempre recordou a palavra dada...
06 junho 2011
bicadas e beijos
Alguns pombos vêm frequentemente ao quintal e costumam aterrissar próximo ao canil do Fedro, o cachorro da casa. Eles gostam de comer as sobras da ração do cão pastor. Vez e outra o Fedro avança com gana de despenar um deles. As aves, no entanto, se afastam e voltam quando têm chance de bicar migalhas. Para além das revoadas e das tentativas do cão de capturá-las, dia desses chamou-me à atenção um gesto de carícia entre dois pombos, no telhado. As bicadas não pareciam de brigas. Pareciam beijos. E beijo apaixonados. Havia certa reciprocidade entre ambos. Percebiam-se até certo arrepio nas penas quando das leves bicadas, bico no bico e o sobe e desce de cabeças, num movimento frenético. Dava a impressão de um convencimento para algo a mais...
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